Jussara a 24 de Abril de 2012 às 19:29
Muito boa a sua descrição de como é ser uma Testemunha de Jeová caro Justiceiro.no meu caso, sou"'órfã espiritual", estudo a Bíblia desde os meus 6 anos de idade e aos 15 decidi me batizar por livre e espontânea vontade, sendo que eu mesma desenvolvi no coração a vontade de servir plenamente a Jeová, servi por algumas vezes como pioneira auxiliar, mas de uns tempos pra cá, agora com 17 anos me desiludi muito com certas coisas nesta organização, tanto com respeito as regras quanto com relação a como tratam pessoas desassociadas..sabe eu mantinha contato com um membro desassociado mesmo sabendo que poderia sofrer punições isso por que uma amiga também de dentro da organização namora com ele escondido da família. e mesmo antes disso havia me apaixonado por um "mundano" e desde então venho me afastando da organização... sabe, sinto me perdida a respeito do que fazer..não sei se simplesmente fico inativa ou se faço uma carta de dissociassão, me vejo num beco sem saída por que eles tem cobrado muito de mim e insinuam o tempo todo que me envolvi em conduta errada e que preciso me confessar para obter uma adoração pura e o perdão de Jeová..preciso de uma luz

Justiceiro a 26 de Abril de 2012 às 01:28

Olá Jussara, boa noite.


Compreendo bem a sua situação. É difícil viver no seio de uma “religião” que está constantemente a observar os passos dos seus fiéis e sempre que seja cometida uma “falha”, lá estão eles, meros humanos como você e eu, a dizer o que se deve ou não fazer. A decisão de saída da Torre de Vigia é apenas e tão somente sua. Apenas lhe poderei dizer que desde que saí dessa organização sou uma pessoa muito mais feliz e ao contrário do que fazem crer, não me tornei um Ser humano miserável, nas garras Satanás…não. Vi que afinal existe vida fora da Torre de Vigia e que as pessoas do “mundo”, que as Testemunhas de Jeová tanto diabolizam, não são na verdade tão más assim… Descobri que os meus amigos “cá fora” são amigos verdadeiros e não pessoas que me amam porque tem que ser, porque a religião quer fazer passar a imagem de uma irmandade unida, na verdade porque são obrigados. No mundo, as pessoas pura e simplesmente são genuínas, se gostam, gostam, se não gostam, não agem de forma hipócrita só para criar aquela aparência de povo apegado.


Como bem sabe, é impossível sair da Torre de Vigia sem sofrer com isso. Mas acho que tem um ponto ao seu favor; se bem percebi, não tem família dentro da seita. Se decidir dissociar-se não terá que passar por ser psicologicamente agredida pelos seus familiares. Poderá conviver com eles normalmente, o que não acontece se eles forem Testemunhas de Jeová. Se tiver amigos dentro da organização, já sabe o que lhe espera… Mas isso talvez seja um mal menor comparado com a família. Existe também outra opção, mas isso cabe a cada um saber se tem ou não “estomago” para concretizar tal escolha. Se não quiser perder os seus amigos jeovistas, pura e simplesmente não faça nada. Continue a ir as reuniões e aos poucos e poucos vá deixando de frequentar as mesmas. Reduza as suas idas ao salão do reino e será apenas uma pessoa que está fraca na fé e uma inactiva, mas pelo menos os seus amigos poderão ainda falar consigo. Sei que esta última escolha é complicada para quem sabe dos podres da organização e que na verdade tem que frequentar as reuniões fazendo de conta que não tem conhecimento de nada e que concorda com tudo. Mas não é isso o que a sociedade Torre de Vigia pretende? Não obriga ela a que as pessoas tenham 2 personalidades e no fundo que age de forma fingida? É isso que a Watchtower cultiva.

Como já mencionei, só você poderá tomar a decisão certa, mas uma coisa lhe posso garantir: Deus não a castigará por ter abandonado as Testemunhas de Jeová…


Cumprimentos.

 

PS. Se precisar de mais algum tipo de esclarecimento deixo aqui o meu mail: otalhoeacidade@sapo.pt


MariaL a 27 de Maio de 2012 às 19:35
Olá Justiceiro,

Já tinha lido parte da sua história num fórum, mas creio que aqui está mais completa, certo?
É emocionante, por dois motivos diferentes.
Primeiro, porque tendo eu passado cerca de 30 anos nessa organização, o compreendo perfeitamente.  Também eu tive o meu primeiro bolo de aniversário depois dos 30  e mesmo assim, não consegui apreciá-lo devidamente por sentir-me culpada. Ou talvez não tenha sido o primeiro... Em criança fechava-me no quarto, com um queque ou pastel de nata e cantava os parabéns a mim. Lembro-me que também chorava.
Segundo, a sua história é uma linda história de amor. E isso sim, é ser verdadeiramente abençoado. Parabéns a si e à sua esposa!
Excelente iniciativa de dar o seu depoimento para que outros como nós possam saber que não são os únicos com esse tipo de sentimentos e que não somos ET´s.

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