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publicado por Justiceiro, em 11.12.12 às 11:32link do post | | | favorito

Texto integral do artigo "O mundo desconhecido em que são educadas as Testemunhas de Jeová" da revista "Sábado" edição nº 447 de 22 de Novembro de 2012.


 

 

por Isabel Lacerda 

 

Mais de 600 pessoas juntaram-se para denunciar a sua antiga religião. Oito delas contam à Sábado como, durante anos, as suas vidas foram dominadas pelo medo de pecar. E pecar podia ser, simplesmente, soprar uma vela.

 

“Lembro-me de ser miúdo, olhas para um estádio de futebol cheio e pensar angustiado que aquelas pessoas iam ser todas destruídas porque se calhar nenhuma era Testemunha de Jeová”, lembra Vítor Máximo.

“As Testemunhas de Jeová acreditam que o mundo de Satanás vai acabar e que só elas sobreviverão ao Armadegão, passando com vida para o Paraíso”, explica M. M., ex-ancião (um dos mais altos cargos na hierarquia da organização), que pede anonimato com receio de represálias para a família, que continua na religião. 

Todos os crentes são habituados a esperar pelo fim do mundo desde crianças. A essa permanente angústia, os miúdos juntaram as várias coisas que estão impedidos de fazer na escola e o pavor de ofender Jeová. Entre as proibições (como aos adultos), estão a celebração de aniversário, Carnaval, Páscoa, Natal, fim de ano e todas as outras datas de origem pagã que a religião despreza porque, conforme explica Pedro Candeias, um dos representantes da organização em Portugal, não são mencionadas nas Escrituras. 

P.T. lembra-se de andar na escola primária e fingir que cantava os parabéns aos colegas, mexendo os lábios e esquivando-se a bater palmas. Mesmo assim, só por estar presente, temia “ser destruída”. César Rodrigues fazia o mesmo e, para evitar perguntas sobre a sua festa e presentes, não dizia quando aniversariava. 

 
 

Ambos contam como agora, respectivamente, celebram todos os aniversários com o maior entusiasmo: “Faço questão de ter sempre um grande bolo. São 30 anos? Sopro 30 velas!”, diz P.T. César festeja com igual euforia, mas ainda hoje não consegue cantar os parabéns. “E como se estivesse a fazer algo de mal. Sei que não estou, mas não consigo evitar este sentimento de culpa. Nunca cantei os parabéns na vida.” 

O maior terror das crianças Testemunhas de Jeová é o Natal, antecedido de atividades como pinturas, composições, festas ou teatros. Não podem participar em nada. 

“Lembro-me como se fosse hoje dos meninos todos em grupos a fazer enfeites para colar nas janelas da sala de aula e eu sozinha de lado, a fazer outra coisa qualquer”, conta P.T. 

Por se considerarem politicamente neutras, as Testemunhas de Jeová não votam em partidos políticos — nos países em que ir às urnas é obrigatório, são incentivados a vota nulo ou em branco. Também não saúdam a bandeira nem canto o hino. “Lembro-me bem: no 3º ano, todos de pé a aprender o hino, e eu supernervosa, só a mexer a boca”, recorda P.T. A organização não encontra motivos para o embarco infantil: “Sendo esses valores baseados na Bíblia, que razões teriam para sentir vergonha?”, questiona Pedro Candeias. 

Artes marciais, que se considera ensinarem a violência, são interditas. E, com base numa passagem bíblica interpretada como Deus não gostando que os homens concorram entre si, a prática de desportos de competição também é desencorajada. É das coisas que César Rodrigues mais lamenta: “Era sempre escolhido para a seleção de futebol da escola, mas era impensável treinar num clube”, conta este co-fundador do fórum Testemunhas de Jeová.

Já com mais de 600 usuários, o fórum surgiu para denunciar todas essas situações e apoiar antigos membros. Em Portugal, onde há 52 mil Testemunhas de Jeová, é o primeiro, mas noutros países da Europa, no Brasil e nos Estados Unidos, o fórum existe há vários anos. 

Também há livros e documentários reveladores do funcionamento da religião. É o que este grupo que recentemente se organizou pretende em Portugal: “Queremos que as pessoas percebam que as Testemunhas de Jeová não são tão inofensivas como parecer as senhoras que distribuem revistas na rua”, explica um dos fundadores do fórum. 

Todos os conteúdos místicos e esotéricos são considerados um perigo para a espiritualidade. Livros como “O Senhor dos Anéis” ou “Harry Potter” não são para abrir. 

Quando a família de P.T. entrou para a religião, os anciões foram livrar-lhes a casa da presença de Satanás. Entre o vestido da noiva que a mãe usara no casamento católico, todas as fotografias desse dia e qualquer outra em que aparecesse um crucifixo (para os fiéis a Jeová, Cristo morreu numa estaca), nada escapou: foi tudo queimado num bidão de metal, até a sua coleção de livros da Anita. “Daí para a frente, só lia a Bíblia e as revistas da religião.” 

 
 

As Testemunhas de Jeová acreditam que “A Sentinela",  "Despertai!" e todas as publicações da organização transmitem a palavra de Deus com a mesma validade que a Bíblia. “Quando mais cedo começarem o estudo, melhor para já irem ensinadas para a escola. Há grávidas que leem o “Meu Livro de Históricas Bíblicas” m voz alta para os bebês que têm na barriga”, revela R.M., outra desistente. 

Vítor Máximo, crente durante mais de 35 anos, recorda-se das tardes de quarta-feira passadas a ler as revistas; P.T. estudava-as com o pai aos sábados à tarde, depois da pregação. 

A pregação porta a porta é uma atividade fundamental e incontornável para qualquer Testemunha de Jeová, pois é a única maneira de levar a “Verdade” a mais pessoas, poupando-as no dia do Juízo Final. 

Acreditando nisso, aos 12 anos G.C. desatou a estudar a Bíblia fervorosamente. A mãe convertera-se e ele também. Acatou os fortes incentivos da organização para se distanciar das pessoas do Mundo (as que não são Testemunhas) e afastou-se de todos os amigos. De um momento para o outro, recorda hoje, deixou de brincas na rua e passou a vestir fato e gravata para ir às reuniões e a andar de pasta na mão para bater às portas. 

Em menos de um ano estava a entrar, de fato de banho e t-shirt branca, na piscina de Algés, em Lisboa. Com uma mão em cima da outra e as duas a tapar o nariz, submergiu totalmente, deitando-se para trás dentro da água. Quando veio acima estava batizado — acabara de se tornar ministro do reino de Jeová. “É uma dedicação incondicional para toda a vida: ser um escravo de Jeová e tudo fazer em favor Dele”, lembra mais de 30 anos depois desse momento. 

No verão seguinte, dedicou-se em exclusivo à pregação. “Eu levava as coisas muito a sério porque estávamos perto do fim do mundo. Pensava: ‘É preciso sacrifícios, vamos fazê-los”’, conta G.C., que foi ancião durante quase 20 anos. 

Desde que a religião foi fundada, em 1879, as Testemunhas já esperaram que o mundo acabasse em vários anos. Sempre que as datas passaram sem que alguma coisa acontecesse, o Corpo Governante (entidade atualmente composta por oito homens, que é o núcleo administrativo da religião nos Estados Unidos) emitiu um novo “entendimento”, inquestionável. “Estão sempre a repetir que a dúvida é um dos laços do Diabo”, explica R.M. Invariavelmente, mas sempre a posteriori, a cúpula da organização nega ter feito qualquer previsão concreta e, apesar de os textos das revistas oficiais da religião terem sempre mencionado os sucessivos anos em que o mundo acabaria, diz-se que a expectativa decorreu da má interpretação dos fiéis. A última data mundialmente difundida para o Armagedão, com muitas famílias a vender tudo que tinha para se dedicarem em exclusivo à pregação e garantirem a passagem para o novo mundo, foi 1975. Depois nunca mais se referiu um ano específico.

 

Com o mundo a poder acabar a qualquer altura, as Testemunhas de Jeová vivem ao mesmo tempo na expectativa do recomeço de uma nova vida e apavoradas com esse momento. Porque, mesmo para o povo eleito, o acontecimento implicará grande sofrimento. 

Uma revista "Despertai!", de 2005, avisa: “O arsenal de Deus inclui neve, saraiva, terremotos, doenças infecciosas, aguaceiro inundante, chuva de fogo e enxofre, confusão mortíferas, relâmpagos e um flagelo que causará o apodrecimento de partes do corpo.” 

Além disso, o Paraíso só está ao alcance de quem não tiver “culpa de sangue”, ou seja, quem não estiver a falhar nos preceitos da religião. 

“Eu perdi a minha vida! Não fazia nada com medo de ofender Jeová e ser destruída”, afirma P.T. 

Vítor Máximo conta que desde criança, e mesmo em adulto, acordou várias vezes a meio da noite “a chorar, com pesadelos com o Armagedão”. 

A grande prioridade das Testemunhas de Jeová é estudar e divulgar os mandamentos de Deus da maneira a salvar o maior número de pessoas possível. Por isso, são altamente desincentivadas a investir em atividades que, para a organização, apenas servem para roubar tempo ao testemunho porta a porta e de nada valem perante o fim de tudo. Quem vai para a faculdade mostra que está fraco na fé e passa a ser olhado com desconfiança. 

Quando Vítor Jacinto decidiu licenciar-se em Engenharia Química, passou a receber visitas de anciãos e superintendentes de circuito (que supervisionam várias congregações) quase semanalmente. A sua biblioteca fazia-lhes particular confusão. “Diziam que aqueles livros continham ensinamentos não cristãos e queriam que me desfizesse deles. Foi aí que começou a minha grande guerra contra eles.” Os livros ficaram, o curso foi acabado, deixou de ir à reuniões. 

Investir na carreira é encarada como outra afronta a Jeová. “Das coisas que me faziam mais impressão era ver pessoas subir à tribuna e contar, cheias de orgulho, que tinham recusado um promoção para não prejudicar a sua vida espiritual”. Revela R.M. 

Outro exemplo de dedicação à religião incutido nas reuniões e nas revistas é o desincentivo que a organização faz a que se tenha filhos: por um lado, são grandes consumidores de tempo, por outro, não é aconselhável pôr crianças num mundo que vai acabar. Para G.C., isso ficou claro no dia do casamento. Depois de uma adolescência em que não podia beijar nenhuma rapariga, nem mesmo como cumprimento, no rosto, e de um namoro com alguém da mesma congregação, sempre na presença dos pais e sem um único beijo na boca, casou-se num Salão do Reino. “O ancião que fez o discurso disse que de forma nenhuma deveríamos ter filhos, porque estamos no tempo do fim e era uma atitude pouco sábia, pouco espiritual.” 

Só contrariou a instrução mais de 10 anos depois, quando a mulher começou a ficar clinicamente deprimida com receio de já não conseguir engravidar por causa da idade. “Os casais que decidem ter filhos são criticados pelos outros que optam por não ter em virtude das orientações da organização”, revela M.M., outro ex-ancião. “Conheço casais que não têm filho e que agora já não podem e outros que continuam na expectativa de vir o fim para depois poderem ter um filho. É horrível”, afirma G.C. 

Este antigo ancião deixou o cargo e as reuniões há cinco anos. Tecnicamente, está inativo, situação de que não entrega há seis meses relatórios com o número de publicações que distribuiu e de horas que pregou. O seu mal-estar com a religião começou quando, numa formação para cerca de 200 anciões, lhes foi ordenado que escrevessem na página do manual sobre o abuso sexual de menores: “Sempre que surja um caso de pedofilia, contatem de imediato a filial [a sede, em Alcabideche, Cascais]. “ Perguntou: “Mas a pedofilia é crime, não deveria denunciar-se à polícia?” Responderam-lhe peremptoriamente: “Nós não denunciamos os nossos irmãos. As ordens são estas, escreva isso aí.” 

No manual dos anciões a que a Sábado teve acesso está impresso: “Se o acusador ou o acusado não estiverem dispostos a reunir-se com os anciãos, ou se o acusado continuar a negar a acusação de uma única testemunha e a transgressão não tiver sido comprovada, os anciãos devem deixar o caso nas mãos de Jeová”. 

 

Esta política de não divulgação valeu recentemente às Testemunhas de Jeová a condenação à maior indenização alguma vez já paga nos Estados Unidos a uma vítima de pedofilia: 22 milhões de euros. O tribunal considerou provado que a estrutura da organização tinha sabido e abafado o caso.

 


Esta é das mais desconfortáveis questões no interior da Religião. Outra é a da desassociação, ou expulsão — o pior que pode acontecer a uma Testemunha e aos seus familiares, O contato com desassociados é simplesmente proibido, mesmo que seja da família.

De possuída pelo demônio, a prostituta, P.T., com cerca de 40 anos, ouviu os piores insultos da boca dos pais quando foi desassociada, em 2006. Proibiram-na de voltar lá a casa. “Fiquei desnorteada, pensava que ser destruída, perdi a minha família e todos os meus amigos, que nem sequer me cumprimentavam. Como todas as pessoas que são desassociadas, fiquei sem ninguém.” 

“Jeová nos observará para ver se acatamos, ou não, seu mandamento de não ter contato com nenhum desassociado”, lê-se na revista “A Sentinela”, de abril deste ano. 

“Um simples ‘oi’ dito a alguém pode ser o primeiro passo para uma conversa ou mesmo para amizade. Queremos dar esse primeiro passo com alguém desassociado?”, questionava a mesma publicação já em 1981 (as Testemunhas de Jeová guardam todas as revistas que consultam). “Toem sua posição contra o Diabo (...). Não procure desculpas para se associar com um membro da família desassociada, como, por exemplo, trocando e-mails”, diz “A Sentinela” de janeiro de 2013 já disponível no site da organização. 

O ostracismo a que os desassociados são votados pode originar problemas extremos. Dos oito antigos fiéis que a Sábado entrevistou (dois dos quais ex-anciãos), quatro tiveram de procurar ajuda médica para depressões e estado de ansiedade grave — alguns fizeram terapia, todos foram medicados. Dois pensaram no suicídio. 

Vítor Máximo julgou que os pais se reaproximassem quando lhes comunicasse o seu segundo casamento. Afinal, deixaria de ser um “fornicador”, um dos maiores pecados para a religião. Mas, como a mulher era uma mundana e ele um apóstata (abandonou a religião há cinco anos), os pais nem foram à cerimônia. 

“Nesse dia, quando cheguei a casa, em vez de estar a relembrar os bons momentos da festa, sentei-me na beira da cama e desatei a chorar”, lembra. 

Embora o expulsem, insiste em aparecer de vez em quando na casa deles, nos arredores do Porto, mas na última vez que falou com o pai ele chamou-lhe adorador do Diabo e ameaçou ligar para a polícia caso voltasse. Durante muitos meses, a conversa ao jantar com a mulher terminava invariavelmente em lágrimas. Teve de ir ao psiquiatra e só superou a depressão com a ajuda de medicamentos. 

Quem privar com um desassociado arrisca-se a ser expulso. Isso é ficar sem nenhuma rede social (família e amigos), porque as Testemunhas de Jeová não criam laços com pessoas do Mundo. Por medo do que pode acontecer aos familiares, algumas pessoas falaram para este artigo sob anonimato; outras não revelaram a identidade porque estão afastadas, mas não se querem dissociar (voluntariamente) nem ser desassociadas, sabendo que nesse momento terão de cortar relações com os que lhes são mais próximos. 

 
 

César Rodrigues, 38 anos, foi Testemunha de Jeová desde que nasceu e as suas dúvidas só surgiram há quatro anos, quando fez uma coisa que a organização desaconselha insistentemente: meteu-se num fórum de dissidentes brasileiros na internet. “Para mim, aquilo era tudo mentira. Pensei: ‘Vou mostrar-lhes o que é uma verdadeira Testemunha de Jeová’”. Mas foi ele que acabou convencido. Uma das coisas que mais o chocaram foi perceber as incongruência na proibição de transfusões de sangue, que já provocou a morte a um número incalculável de crentes. 

“As Testemunhas acreditam que a transfusão de sangue lhes é proibida por passagens bíblicas como estas: “Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer”, explica o representante da organização, Pedro Candeias. Plasma, plaquetas, glóbulos brancos e vermelhos também são rejeitados. Mas o recurso a fracções desses componentes é permitido. “É extremamente incoerente condenar o uso de determinadas fracções e permitir o de outras e não existe base bíblica nem científica para tal distinção. Por exemplo, se se pode aceitar hemoglobina, que é 97% de um glóbulo vermelho, por que não se pode aceitar glóbulos vermelhos? “É como se eu dissesse que você pode comer uma uva sem pele, mas com pele não pode”, afirma M.M., que foi ancião durante mais de uma década.

Quando César começou a fazer perguntas aos amigos (“Sabias que era assim?”), foi denunciado. Fizeram-lhe quatro comissões judicativas (tribunais eclesiásticos). Já sem acreditar em nada do que tomara por certo durante anos, negou todas as acusações de falta de fé. Recusa-se a ter de deixar de falar com os pais. Quando conheceu uma antiga Testemunha de Jeová, perguntou: “É possível ter amigos do Mundo?” Descobriu que sim. Deixou de aparecer nas reuniões. 

R.M. demorou a fazê-lo, mesmo depois de, no ano passado, ter lido o proibidíssimo livro “Crise de Consciência, de um antigo membro do Corpo Governante, e de perceber que “toda a vida tinha vido enganada”. “Sinto que é mesmo uma lavagem cerebral, da qual é muito difícil libertamo-nos”, explica. Só conseguiu afastar-se quando descobriu o fórum Testemunha de Jeová. Diz que só passar à frente de um Salão do Reino a deixa “agoniada”. Mas não está preparada para deixar de falar com a família. 

Para M.B., o momento está para breve. Aos 18 anos, aproveitou o fato de sair de casa e mudar de cidade para confessar aos anciãos que fumava, o que é proibido. Já sabia o que o esperava: uma semana depois lhe comunicaram a expulsão. De regresso a Lisboa, foi assaltado e ficou sem dinheiro nenhum. Ninguém da família lhe atendeu o telefone nem respondeu às mensagens — nem nessa altura nem em todo o ano que se seguiu. “Sentia-me perdido, culpado, abandonado. Passava noites inteiras sem dormir.” 

Desenvolveu um transtorno de ansiedade incapacitante. A família continuava a não lhe atender o telefone. Pensou no suicídio. “Mas depois ahcei que ninguém iria ao meu funeral”. 

Um dia em que insistiu mais uma vez, inesperadamente, a mãe atendeu. Como o motivo era doença, os anciões, aos quais ela pediu autorização, permitiram que o recebesse em casa. Mas agora que está mais estável, M.B. sabe que vai ter de voltar a sair. E que vai ter de se despedir para sempre.

 


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publicado por Justiceiro, em 07.12.12 às 13:41link do post | | | favorito


Depois da saída nas bancas da Revista “Sábado” com tema de capa “O mundo desconhecido em que são educadas as Testemunhas de Jeová”, vários foram os e-mails de desagrado e repudio enviados a quem conduziu as entrevistas e escreveu o artigo: a Jornalista Isabel Lacerda. Algumas mensagens estão carregadas de impropérios e ofensas por parte daqueles que se dizem fazer parte dos eleitos, aqueles que Jeová Deus escolheu para serem o seu povo. Muitos mostraram repulsa pelo artigo, limitando-se apenas a dizer que tudo não passa de mentiras e que o objetivo do mesmo era denegrir a imagem das (bondosas) Testemunhas de Jeová. Não irei aqui focar-me sobre algum tema específico, tentando mostrar a veracidade do que foi escrito, até porque sobre isso, tive já oportunidade de o fazer no Fórum. Irei falar sim sobre um assunto que parece ter melindrado muitas dezenas de Testemunhas. Ao que parece, muitos contestaram que o relato sobre a queima dos livros da Anita dentro de um bidon (o famoso bidon!), é apenas e tão simplesmente uma falsidade que chega a roçar o ridículo.


Ao ler esses argumentos vazios de conteúdo, lembrei-me de um livro que tenho há alguns anos e que narra precisamente uma história idêntica. O autor é bem conhecido em França por todas as Testemunhas de Jeová. Chama-se Nicolas Jacquette. Ele era uma Testemunha de Jeová jovem que testemunhou perante uma comissão parlamentar de inquérito sobre a influência das seitas nos menores. É membro da União Nacional das Associações de Defesa da família e do individuo (UNADFI) e da Coordenação Nacional das vítimas da organização das Testemunhas de Jeová (CNOVTJ). Nicolas também é o autor de um livro autobiográfico publicado pela editora “Balland”, com o título, “Nicolas, 25 ans, rescapé des Témoins de Jéhovah”. (Nicolas, 25 anos, sobrevivente das Testemunhas de Jeová).


Nicolas Jacquette viveu entre as Testemunhas de Jeová até aos 22 anos, respeitando com fé as regras da seita. Como para todas as outras milhares de crianças Testemunhas de Jeová, tudo foi planeado para que ele se torne um excelente pregador. Até o dia em que se atreve a questionar a visão de mundo que lhe é imposta… Depois de anos de doutrinação e isolamento, foi apenas 2004 que conseguiu sair das garras da seita. As revelações chocantes de Nicolas lançam luz sobre as práticas das Testemunhas de Jeová e denunciam os desvios sectários em todas as suas formas.


No capítulo 2 da sua obra com o título, “Do Tamanho de um Estrunfe” Nicolas descreve o absurdo, o caricato e até o cómico em que podem chegar as crenças jeovistas. Ele começa por dizer:


“A escola é perigosa! A palavra de ordem é: cuidado. Não se trata de ir com algum desconhecido que me possa abordar. Não! Tenho que desconfiar de toda a gente. As Testemunhas de Jeová estão em guerra fria com o resto da humanidade. A mensagem que eu aprendi nos compêndios da Watchtower era simples. As Testemunhas de Jeová são o povo de Deus, protegidas por ele. Fora do grupo, estão as pessoas do mundo, controladas por Satanás. Um mundo povoado de gente má, perigosa e carregada de vícios, com um único objetivo: desviar as caridosas Testemunhas de Jeová do caminho correto. Foi o que eu aprendi. É o que eu acredito. Já com 3 anos vejo todas as pessoas do mundo como o braço armado de Satã, uma ferramenta para me conquistar e me fazer tropeçar. (…) Toda a pessoa que não seja Testemunha de Jeová, que demonstrasse boas intenções, que fosse gentil, honesto, etc., que não apresentasse nenhum sinal de maldade, típica das pessoas do mundo, seria comparado a Satanás que «persiste constantemente a transformar-se em anjo de luz». Quando uma pessoa que não seja Testemunha de Jeová é amável comigo, fico na defensiva. Vejo os meus colegas e professores como agentes do Diabo. Tenho que ser gentil com todos para dar uma boa imagem das Testemunhas, mas não tenho o direito de fazer amizades, «más companhias estragam hábitos uteis» dizem-me constantemente. Acabo por ver Satanás em todo o lado. Por vezes estou persuadido que sinto a sua presença no meu quarto. Estou certo que Satanás ou um dos seus Demónios esconde-se debaixo da minha cama ou ande por ali. Tremendo e escondendo-me debaixo dos lençóis, apetecia-me gritar, pedir ajuda, mas posso apenas rezar a Jeová para que ele os expulse. (…)


Rumores circulam nas congregações dando lugar a verdadeiras psicoses coletivas. Um desses burburinhos deu mesmo muito que falar. Uma pequena Testemunha de Jeová terá visto um boneco Estrunfe a vaguear pelo quarto e a dançar. Não restam dúvidas, era uma manifestação demoníaca. A mãe da criança deitou no caixote do lixo todas as figuras. A minha mãe como todas as outras mães Testemunhas de Jeová, proibiram todo o contacto com os estrunfes. Proibido ver a série animada na televisão, proibido possuir um livro dos pequenos bonecos azuis e evidentemente, proibido colecionar as figuras dos mesmos. Ela procurava em todos as caixas do quarto, para se livrar o mais rapidamente possível do maligno. Era o boicote geral. Tudo isso porque o pesadelo de uma criança foi levado a sério por uma mãe ávida de psicose. Por medida de precaução, a minha proibiu-me de ter qualquer figura que seja em casa. Se os Estrunfes foram possuídos, qualquer boneco também podia sê-lo. Mais vale prevenir do que remediar.”


Depois deste relato, não vejo qual a grande diferença entre os livros infantis da Anita e os Estrunfes. O que terá levado os pais de P.T. a queimarem toda uma coleção para “livrarem a casa da presença de Satanás”? Estas duas descrições contrastam com uma animação infantil editada em DVD pela Watchtower que retrata a história de um menino chamado Pedro e o seu boneco (Sparlock). A criança é “incentivada” pela mãe a deitar fora a sua figura por esta considerar que se trata de um brinquedo mágico e que a magia advém de Satanás. Embora a criança sinta prazer em brincar com aquilo que fantasiou ser um “guerreiro mágico” a sua progenitora apressa-se em incutir-lhe que Jeová não iria gostar de ver Pedro a brincar com Sparlock. Chega ao ponto de culpabilizar o pequeno por este fazer o que é comum a todas as crianças: brincar (ver o vídeo aqui). O medo e o irracional estão em todo o lado no meio das Testemunhas de Jeová. Uma criança não pode crescer livremente sem ser fruto de uma manipulação mental constante. O pavor de desobedecer a Deus prevalece sobre tudo e todos até mesmo sobre o crescimento saudável de uma criança.


Não entendo o porquê de todas as manifestações de repúdio por parte das Testemunha de Jeová ao dizerem que tudo o que foi escrito nas páginas da revista Sábado são mentiras. A ouvi-las, nunca nenhuma Testemunha de Jeová destruiu o que quer que seja usando fogo, muito menos um bidon! Muitas foram as Testemunhas de Jeová que no Facebook da revista “Sábado” (e não só) se riram e ridicularizaram quem disse que usou um bidon para queimar livros, tentando assim descredibilizar aqueles que elas chamam de “apóstatas”. Mas nós, os apóstatas, nem costumamos mentir e até conhecemos melhor a organização (que servimos durante largas dezenas de anos) do que as próprias Testemunhas de Jeová. Porque uma imagem vale mais do que mil palavras, fica aqui um bidon saído das publicações jeovistas e o uso a dar ao mesmo!


O Que a Bíblia Realmente Ensina? pág. 102

 

Se mesmo assim não chegar para provar que tudo o que foi escrito na revista "Sábado" é simplesmente as ordens expressas de uma seita chamada "Testemunhas de Jeová", fica aqui mais uns pequenos trechos retirados dos livros saídos das gráficas da sociedade Torre de Vigia de Biblias e Tratados.


“(... )se alguém quiser escapar das garras dos demônios, deve destruir todos os seus pertences relacionados à adoração satânica! Isso inclui todos os livros, revistas, pôsteres, revistas em quadrinhos, vídeos, amuletos (itens usados para “proteger”) e matéria demoníaca baixada da Internet. (Deuteronômio 7:25, 26) Jogue fora todos os seus pertences que podem ter sido usados na adivinhação, como bolas de cristal e pranchetas Ouija. Livre-se também de músicas e vídeos que apresentam temas satânicos.”

“Despertai” 22/01/02 pag. 27


“Por destruírem seus livros de magia, aqueles novos cristãos deram um exemplo para aqueles que desejam resistir aos espíritos maus hoje em dia. Pessoas que desejam servir a Jeová precisam livrar-se de todas as coisas ligadas ao espiritismo. Isso inclui livros, revistas, filmes, pôsteres e músicas que incentivam a prática do espiritismo e fazem-no parecer atraente e emocionante. Inclui também amuletos ou outros itens usados para proteção contra o mal. —  1 Coríntios 10:21.”

“A Bíblia Ensina” pag.103 § 14 “Criaturas espirituais como nos afetam?”


Depois do artigo da “Sábado” inúmeros foram os relatos a confirmar que este era o proceder a ter a quem suspeitava possuir objetos supostamente satânicos em casa. De nada servirá as Testemunhas de Jeová tentar denegrir a nossa imagem e chamar-nos de enganadores (e outros insultos). Por muito que doa, o que foi escrito na revista é a triste realidade de quem viveu toda uma vida no seio dessa organização religiosa. Saímos tarde das garras dessa seita manipuladora e totalitária, mas ainda saímos a tempo. Sabemos que a verdade não está entre as Testemunhas de Jeová e a prova-lo estão estas frases escritas no livro “Milhões que Agora Vivem Nunca Morrerão, 1920, p. 16 editado pela Watchtower!


"O erro procura sempre a obscuridade; enquanto a verdade é sempre realçada pela luz. O erro nunca deseja ser investigado. A luz sempre procura uma perfeita e completa investigação.” 


Mais uma vez obrigado à revista “Sábado” e a Jornalista Isabel Lacerda por terem investigado e procurar saber a verdade sobre as Testemunhas de Jeová. 


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publicado por Justiceiro, em 23.11.12 às 01:10link do post | | | favorito

Um pequeno lembrete a quem visita este blogue:


“Não é forma de perseguição religiosa alguém dizer e mostrar que a religião de outrem é falsa. Não é perseguição religiosa uma pessoa informada expor publicamente uma religião falsa, permitindo assim que outros vejam a diferença entre a falsa religião e a verdadeira."

A Sentinela de 15 de Maio de 1964, p. 304


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publicado por Justiceiro, em 22.11.12 às 15:03link do post | | | favorito

- Fase 1: Empolgação - é aquele estágio em que a pessoa sente-se “maravilhada” com a quantidade enorme de “novas luzes”- algumas bem inimagináveis - as quais são transmitidas num curto espaço de tempo para a pessoa que aceitou um suposto estudo “bíblico” com as Testemunhas de Jeová. Na verdade, não é a Bíblia que é estudada, mas um livro da organização - "Conhecimento que Conduz à Vida Eterna" - supostamente utilizado para 'facilitar' ou 'dirigir' o estudo. E só se recorre à Bíblia nas citações isoladas que o livro fornece em favor das suas interpretações peculiares. Como a maioria das pessoas contactadas pelas Testemunhas de Jeová são totalmente leigas em teologia, línguas mortas e arqueologia, elas tornam-se presa fácil para as exóticas doutrinas, tais como a proibição do sangue, do voto e do serviço militar. A maioria dos adeptos não sabe do passado da organização, do tempo em que ela elogiava as transfusões de sangue e proibia as vacinas e os transplantes de órgãos; orava pela vitória dos aliados na I Guerra e permitia o serviço às forças armadas. De qualquer modo, em que pese a esquisitice de alguns ensinos das Testemunhas, a pessoa que está sendo doutrinada é sutilmente envolvida e pensa, "minha igreja nunca ensinou essas coisas fantásticas, eram sempre os mesmos sermões cansativos - aquela coisa sem graça - por isso acho que esta pode ser a única religião verdadeira". Assim, embora sem compreender bem certos pontos, a pessoa aceita a religião pelo “conjunto” das coisas que aprendeu. Ela entra na fase da exaltação romântica e baptiza-se.

 

- Fase 2: Acomodação - após algum tempo de devoção à nova fé, a maior familiarização com o ambiente entre as Testemunhas de Jeová, a qual revela as mesmas fraquezas de conduta encontradas na religião anterior da pessoa, ela sente-se um pouco perturbada, mas aprende a “acomodar” a situação, atribuindo tais coisas à imperfeição humana. A empolgação inicial passa. O fiel apega-se à religião pela sensação inicial de “libertação” que tinha nos tempos de batismo. No entanto, algumas dúvidas que a pessoa tinha “varrido para baixo do tapete” começam a aflorar-lhe na mente. Ela é incentivada a “esperar em Jeová” e deixar que tais coisas se esclareçam por si mesmas com o tempo. Contudo, ao invés de explicações satisfatórias a pessoa é constantemente alertada para o perigo de se buscar o entendimento de tais pontos fora da organização. A pessoa dá-se conta de que existe um aparato de censura. Fala-se em apostasia como se fora a peste negra da idade média. A pessoa fica dividida entre manter seu conforto emocional por não investigar tais rumores ou passar adiante doutrinas com as quais já não concorda de coração. Da tribuna, os fiéis são incentivados a ler a literatura da organização e gastar mais tempo na pregação, pois, afinal, o ARMAGEDOM ESTÁ PRÓXIMO E TODO AQUELE QUE QUESTIONAR OS ENSINAMENTOS DA ORGANIZAÇÃO SERÁ DESTRUÍDO. De modo que, por temor da morte, a pessoa prefere prosseguir como está. Para ela, abandonar a organização ainda é O MESMO QUE ABANDONAR A DEUS.

 

- Fase 3: Pensamento independente - nesse estágio, as dúvidas tornam-se perturbadoras e a pessoa já consegue ter algum grau de autonomia de ideias. Por exemplo, ela talvez decida quais requisitos da organização vai atender ou não, quais ensinos vai passar adiante ou não. Ela já não tem certeza de que esta é a única religião verdadeira. Também, o conceito de “paraíso espiritual” já não convence. Ela continua a comparecer às reuniões e à pregação, mas já não é mais a mesma do início. Talvez já não concorde com o banimento social imposto àqueles que se afastam da organização por motivo de discordância e até conversa com eles, desde que não haja alguém da congregação observando. É muito comum, nessa fase, a chamada “vida dupla”, na qual a pessoa tem de representar um papel perante os irmãos de fé e outro na sua vida social. Um certo dia, chega às mãos da pessoa uma literatura de um ex-membro da organização ou ela acede por curiosidade a informações da internet. Ainda que receosa, ela se atreve a examinar às escondidas o assunto e o que ela vê, a princípio, a deixa bastante abalada. Ela examina as referências da matéria e, de fato, encontra a informação tal qual é descrita. Nesse ponto, ela passa para o próximo estágio...

 

- Fase 4: Conflito - a pessoa sente-se apoquentada pelo facto de imaginar que tudo o que vivenciou pode ter sido um logro. Teme comentar o assunto com outra pessoa e ser denunciada. Teme perder os amigos e a família. Por outro lado, o peso na consciência já é uma carga demasiado pesada para levar aos ombros e a pessoa sente-se frequentemente esgotada. Talvez decida envolver-se mais no trabalho ou envolvesse numa atividade que lhe permita não pensar muito no assunto. Ela pergunta-se sobre a finalidade da vida, a qual sempre esteve ligada à organização, e entra em crise existencial. É uma fase de contradições, ou seja, mesmo sabendo de certas coisas deploráveis sobre sua religião, a pessoa ainda tem a sensação de estar sendo, de algum modo, “indigna”. Outros questionamentos vêm-lhe à mente e ela “cede à tentação” e decide investigar mais o passado doutrinal da sua religião. Isso a deixa mais chocada ainda. Outros já notam que ela está “diferente”. O olhar das pessoas subitamente muda. A essa altura, alguns talvez já tenham “tomado nota” dela como alguém fraco na fé e os anciãos já começam a aproximar-se, falando de “apostasia” e de todos os perigos ligados a ela. Boatos espalham-se. A pessoa sabe que não pode colocar as suas dúvidas diante deles, pois poderá ser enquadrada e levada a uma comissão judicativa. Ela sabe que chegou a um momento crucial.

 

- Fase 5: Decisão - a partir desse momento, a pessoa pesa todas as consequências de deixar a organização. Talvez, em face da perda da família, do emprego e dos amigos, chegue à conclusão de que tem de viver uma farsa. Enquanto puder deixar suas convicções no “anonimato” ela o fará. Nesse caso, corre o risco a todo momento de ser denunciada e as coisas se precipitarem a um ritmo para o qual não se preparou. Outras pessoas decidem enfrentar o problema de frente e comunicam à organização a sua intenção de se afastar dela, já sabendo do alto preço que pagarão por isso. Os parentes e amigos, fazem apelos chorosos para que reconsidere a decisão, mas a pessoa sente que não pode tornar-se refém deles. Os anciãos não têm respostas satisfatórias para as perguntas e nem conseguem refutar as provas documentais. Na verdade, a maioria nem está ciente delas. Isso só convence mais a pessoa do fato de eles também terem sido ludibriados pela organização. Ao final, a pessoa é expurgada. Só aí ela sentirá na pele o que é ser banido, com pessoas virando-lhe a cara e boatos maldosos sendo espalhados sobre a vida pessoal dela. Nesse momento, compreende-se o limite do tão alardeado “amor cristão” entre as Testemunhas de Jeová. O rótulo de “apóstata” corresponde à lepra na antiga Judeia.

 

- Fase 6: Readaptação - a pessoa agora passa por um gradativo processo de desprogramação, no qual ela se refaz das sequelas que a religião deixou na sua vida. Precisa de fazer novos amigos, retornar a projetos de vida que tinha negligenciado em troca da religião. Na verdade, é possível que a pessoa cultive desinteresse ou até aversão por temas religiosos. Alguns ficam perdidos e adotam um estilo de vida desregrado (a organização gosta de usar o exemplo destes como prova de que ela é a única religião verdadeira, desconsiderando a própria responsabilidade dela nesse processo). Outros buscam saciar a sua sede espiritual conhecendo outras organizações religiosas, talvez filiando-se a uma delas. Ainda outros mantêm os valores cristãos básicos, mas decidem não mais se submeter à autoridade de organizações humanas (esses são os mais importantes na tarefa de esclarecer outros). Enfim, os caminhos são diversos. Todavia, a pessoa nunca mais será a mesma. Certamente será preciso algum tempo até que ela descubra que, ao contrário do que lhe fora ensinado por anos a fio, EXISTE, SIM, VIDA FORA DA ORGANIZAÇÃO!


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publicado por Justiceiro, em 21.11.12 às 16:54link do post | | | favorito


Ao fim de algumas semanas de espera, finalmente chegou a reportagem que todos aguardávamos. Com o apoio da Jornalista Isabel Lacerda (que eu agradeço pessoalmente, por nos ter dado voz e ter pesquisado sobre a organização das Testemunhas de Jeová. Por querer saber todos os mais pequenos pormenores e os mais ínfimos detalhes), amanhã sai nas bancas a revista "Sábado" que ajudará a conhecer melhor o meio um pouco secreto das Testemunhas de Jeová. Lá estarão experiencias de alguns ex membros da seita, desde a infância até aos dias de hoje. Irá ter relatos pungentes de pessoas que ainda hoje sofrem apenas porque cometeram um único "pecado": o de sair da organização. Irá ler como são tratadas as pessoas que, como eu, deixaram de querer pertencer ao "povo escolhido de Deus"... Sem dúvida um dia histórico para a dissidência em Portugal. A não perder!


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publicado por Justiceiro, em 26.03.12 às 00:34link do post | | | favorito

Todos nós temos as Testemunhas de Jeová como indivíduos cordiais, educados e de trato fácil. Mas a realidade é bem mais complexa. Com certeza que existirá no meio Jeovista gente bondosa, mas estas mesmas deixam-se moldar por uma doutrina castradora que lhes comanda a vida ao mais ínfimo pormenor. A palavra "ínfimo" não é exagerada, pois a vida duma Testemunha de Jeová é regulada por um sem número de regras e ditames (ver aqui), desde de como agir no dia a dia nas mais diversas situações, passando pelo tratamento a dar aos que deixaram de pertencer à religião...

Certas regras de conduta, vão até interferirem na própria vida privada e íntima dos fiéis, chegando a roçar algumas delas o ridículo. A desobediência constante dessas mesmas normas, originam a expulsão do "prevaricador".

Acontece que as Testemunhas de Jeová, são um grupo religioso, que apesar de não viverem à parte da sociedade onde se inserem, tem nos seus códigos de conduta, valores morais e religiosos que consideram superiores aos valores pelos quais a sociedade actual se rege.

Existe perseguição e discriminação por parte das Testemunhas de Jeová aos ex-membros da religião, submetidos aos processos de dissociação (abandono voluntário) e desassociação (expulsão) que vem desagregando famílias inteiras e promovendo intenso sofrimento às suas vítimas. As duas práticas impedem, por imposição de dogmas religiosos, divulgados nas publicações das Testemunhas de Jeová (ver alguns exemplos mais abaixo), a convivência familiar e social dos desassociados com membros que permaneceram na seita. As "verdades" de uma determinada religião não podem estar acima dos princípios de igualdade e liberdade de consciência religiosa, previstos na nossa Constituição. É inultrapassável o direito de optar por uma religião, ou de se desligar de qualquer uma. Ninguém pode sofrer a mínima pressão e/ ou coacção de qualquer espécie, seja proveniente de organizações públicas ou privadas posto que, se assim acontecer, está-se diante de uma franca violação aos ditames constitucionais, ferindo de morte direitos fundamentais cuja protecção, o Estado tem o dever de garantir.

Baseando-se em textos bíblicos distorcidos, e com uma interpretação errónea, o povo que se diz ser "o único representante de Deus", maltratam aqueles que já foram os seus irmãos de fé, indo ao ponto de os humilhar e de os espancar moralmente... Não raro as vezes, os ex-membros são tratados como uns facínoras simplórios, como o que de mais vil há na sociedade, ou tão simplesmente como lixo. Nada disto até seria muito grave, se tais afirmações não saíssem da boca dos próprios amigos. Mais grave ainda, é quando esses mesmos comportamentos são tidos tão simplesmente pela própria família, sejam eles pais ou filhos... Como se todo este tipo de linguajar não chegasse, as leis internas das Testemunhas de Jeová determinam que todos aqueles que sejam desassociados, ou que decidem deixar a religião por um ou outro motivo, sejam afastados, não lhes sendo possível a convivência com nenhum membro da seita, nem mesmo com a própria família. Um simples "olá" é motivo de repreensão aos que ousaram desafiar as leis internas, podendo ir até a expulsão...

Eu próprio sou fruto dessa descriminação. Sinto uma enorme angústia por não conseguir ter uma convivência normal e sadia com os meus pais e o meu próprio irmão apenas porque uma "religião" lhes ordena a virarem-me (literalmente) a cara. Não sou um caso isolado, existe milhares de pessoas nesta mesma situação, privadas da comunhão dos seus amigos e familiares em nome de uma doutrina castradora, sectária e que viola de uma forma sistemática e desavergonhada a Declaração dos Direitos Humanos:

Artigo 5.º
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanas ou degradantes.

Artigo 18.º
Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Artigo 19.º
Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

Artigo 20.º
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Nasci no meio Jeovista e permaneci nele durante 33 anos. Hoje, com 41, já não faço mais parte dessa denominação religiosa. Sou ateu e orgulhoso de o ser.  Sei perfeitamente como funciona os meandros da seita "Testemunhas de Jeová" e quais as suas leis internas. Muitos dirão que tudo o que se diz são invenções dos famosos "apóstatas" (no jargão Jeovista, pessoas como eu, que tentam divulgar a verdadeira faceta das mesmas), para denegrir a imagem das (quase perfeitas) Testemunhas de Jeová. Para aquelas que teimam em dizer que tudo não passa de uma invenção engendrada pelos maléficos filhos do Demo, ficam aqui algumas das inúmeras citações retiradas da literatura Jeovista.

 

"A Sentinela" de 15 de Dezembro de 1981 p. 19 "Como encarar a desassociação"

(...)"Os que se tornam 'não dos nossos' por deliberadamente rejeitarem a fé e as crenças das Testemunhas de Jeová devem ser encarados e tratados apropriadamente como aqueles que foram desassociados por causa duma transgressão" (...)

 

"Nosso Ministério do Reino" de Agosto de 2002 (Pequeno Jornal interno de acesso restrito e exclusivo para os membros baptizados)
 (...) "Evitamos também o convívio social com quem foi expulso. Isso significa que não vamos com ele a piqueniques, festas, jogos, compras, ao cinema, nem tomamos refeições com ele, quer em casa quer num restaurante.

 

"A Sentinela" de 15 de Março de 1986 p. 18 "Não dê margem ao Diabo!"

"Alguns dos que têm atitude crítica afirmam que a organização de Jeová é estrita demais na questão de cortar os contactos sociais com pessoas desassociadas. (2 João 10, 11) Mas, por que acham isso tais críticos? Será que têm vínculos familiares íntimos ou uma lealdade errónea a um amigo, que eles colocam à frente da lealdade a Jeová, e às Suas normas e aos Seus requisitos?"

 

Recentemente a revista "A Sentinela" na edição de Julho de 2011, afirma que os ex-fiéis são "doentes mentais". O artigo recomenda que os devotos devem "evitar contacto com os apóstatas" assim como um médico pede para manter distância de pessoas "infectadas com doenças contagiosas, mortal". Afirma que o objectivo dos ex-fiéis é "infectar outras pessoas com seus ensinamentos desleais". Uma associação de ex-Testemunhas de Jeová apresentou queixa à polícia do condado de Hampshire, que está a investigadar se o artigo viola as leis que punem a discriminação religiosa. Angus Robertson, um ex-ancião (pastor) da Testemunhas de Jeová, disse à polícia que é praxe da religião usar a Bíblia para intimidar os fiéis que ousam contestá-la. Rick Fenton, porta-voz da religião, negou que os devotos não possam fazer contestações, mas afirmou que quem discordar dos ensinamentos da Bíblia tem o direito de "pedir licença" (desligar-se do movimento) ", mas o que não falou foi as consequências para os mesmos.

 

Mediante todo este contexto, foi realizada este fim de semana a segunda reunião de ex Testemunhas de Jeová (ver aqui). Contactei pessoalmente a agência Lusa e convidei-a a estar presente, o que veio a acontecer. O resultado deste encontro pode ser lido no Diário de Noticias (aqui) ou no Jornal I (aqui).

Talvez outras se seguirão, é esperar que mais algum Jornal compre a noticia... Como tive ocasião de referir ontem, acho que estamos a começar a incomodar a "Santa Organização". Será assim tão difícil explicar à sociedade civil o porquê de toda esta descriminação aos seus ex membros? Por muito que nos chamem de doentes mentais, por muito que digam que somos filhos do diabo, nada justifica este tipo de tratamento. Uma coisa eu tenho a certeza: está a valer a pena todo o esforço e dedicação.


Como diz a notícia, ainda estamos numa fase muito embrionária, mas aos poucos vamos crescendo. Bem recentemente eramos apenas 4, contra já alguma centena de inscritos no nosso Fórum...

 

Para ter acesso ao Fórum, clique aqui.

 


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publicado por Justiceiro, em 24.03.12 às 00:25link do post | | | favorito

 

À semelhança do que aconteceu há alguns meses atrás (ver aqui), vai realizar-se hoje (24 de Março) na cidade do Porto, mais uma reunião de dissidentes da seita “Testemunhas de Jeová”. Por inúmeras vezes, referi neste espaço o tratamento desumano que é dado a todos os membros que deixam de pertencer a essa denominação religiosa. Ser uma Testemunhas de Jeová é carimbar o passaporte para uma eventual ostracização. Se por algum motivo, um fiel deixar de pertencer a esse bando, verá todos os seus amigos e família afastarem-se, deixando de ter o direito de conviverem e até mesmo um simples “olá” lhe será negado.

 

Face a toda esta descriminação, esta reunião terá como objectivo delinear estratégias para dar a conhecer melhor ao grande público, esta faceta escondida da organização que se diz de "representante de Deus na terra". Temos também como objectivo auxiliar terceiros a poder sair da mesma sem sofrerem mazelas psicológicas significativas. Será também discutido a possível criação de uma associação de ajuda às vítimas de seitas (a semelhança do que já existe, por exemplo, em França). Outros assuntos estarão “em cima da mesa” mas apenas depois de debatidos com todos os participantes, é que poderão ser tornados públicos.

 

Já não somos apenas quatro, a nossa causa está a crescer e brevemente talvez a mesma seja suficientemente incomodativa.


 


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publicado por Justiceiro, em 04.03.12 às 19:12link do post | | | favorito

 

 

"... só a organização de Jeová, em toda a terra, é dirigida pelo espírito santo...Ela é a única para qual a Palavra Sagrada de Deus, a Bíblia, não é um livro lacrado... a única organização na terra que compreende as 'coisas profundas de Deus'!"

A Sentinela de 1/1/1974, p. 18 (em português)


 

Nos primórdios da organização das Testemunhas de Jeová (ainda “Estudantes da Bíblia”), era notório qual o pensamento sobre as raças, desse grupo que se dizia (e diz) escolhido por Deus. O tom de superioridade é descrito em alguma literatura da época.


 

"...É verdade que a raça branca exibe algumas qualidades de superioridade sobre qualquer outra...”

 Zion’s Watch Tower de 15/7/1902, pág. 3043 (reimpressão)


 

 ”Eles  (os negros)  têm sido e são uma raça de serviçais... Não há no mundo um serviçal tão bom quanto um bom serviçal de cor, e a satisfação que ele obtém por prestar um fiel serviço é uma das mais puras satisfações que há no mundo."

A Idade de Ouro de 24/7/1929, pág. 207 (em inglês)

 

 

"Deus... evidentemente tem sido um respeitador das raças, e tem abençoado especialmente certos ramos da raça Ariana na Europa e América... a raça branca tem sido mais abundantemente abençoada com a luz das boas novas  do que outras... a Igreja eleita provavelmente será composta principalmente da altamente favorecida raça branca.."

A Bíblia versus a Teoria da Evolução  (1898), págs. 30,31  (em inglês)


 

"As raças negra e latina provavelmente sempre serão inclinadas à superstição."

Zion's Watch Tower de 1/4/1908, pág. 99


 

"...as diversas raças da humanidade provavelmente terão seus interesses espirituais como Novas Criaturas melhor preservados por alguma medida de separação." 

Estudos das Escrituras - Vol III (1904), pág. 490 (em inglês)


 

"Hispânicos… e outras raças retrógradas..."

A Idade de Ouro de 30/11/1927, pág. 141 (em inglês) 


 

"Cuidadosas observações numa escola em Londres mostraram que as crianças davam suas melhores risadas, não com comédias "pastelão", mas...olhando um mineiro negro comer um prato cheio."

A Idade de Ouro de 1928, pág. 684  (em inglês) 


 

“Deus pode mudar a pele  etíope  (negra)  no seu devido tempo.”

Zion’s Watch Tower de 15/7/1904, pág. 3320 (reimpressão)

 

 

"Realmente, nossos irmãos de cor tem um grande motivo para alegrar-se. A raça deles é dócil e educável."

A Sentinela de 1/2/1952, p. 95 (em inglês).


 

Tudo palavras carregas de uma grande sapiência e de um amor extremo... 



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publicado por Justiceiro, em 28.09.11 às 14:18link do post | | | favorito

Como já tive ocasião de mencionar neste blogue, fui entrevistado em Agosto pela Agencia de notícias Lusa. Irei aqui deixar os textos escritos pelos Jornalistas Jaime Gabriel e Luís Fonseca. Apenas quem for subscritor dessa mesma agência poderá ler a reportagem (no site da Lusa). A notícia saiu em alguns órgãos de comunicação social um pouco por todo o país.

 

Esta faz parte de uma das acções levadas pela “apostasia” em Portugal, para mostrar quem realmente são as Testemunhas de Jeová e a maneira como descriminam os seus ex membros.

 

 

 

Religião: Ignorado pela família por deixar de ser Jeová, Vítor criou blogue sobre o movimento (c/vídeo)

         

Número de Documento: 12836033

 

Porto, Portugal 06/08/2011 08:42 (LUSA)

Temas: Religião, Cultos e seitas

   

*** Serviço vídeo disponível em www.lusa.pt ***

*** Jaime Gabriel de Jesus, da agência Lusa ***

Porto, 06 ago (Lusa)

 

Os pais e o irmão de Vítor Máximo, 40 anos, ainda hoje o ignoram, não lhe perdoando o facto de há sete anos se ter tornado um "apóstata", ao abandonar a confissão religiosa das Testemunhas de Jeová. "Cada vez os meus pais se afastaram mais. Cheguei a escrever-lhes cartas e eles nunca me responderam", conta Vítor, explicando que os seus próprios filhos, um de seis e outro de nove anos, são ignorados pelos avós. "O único contacto que tenho com os meus pais é porque eu os obrigo a ter, aparecendo em casa deles. Mas o meu pai frisou bem que não me quer lá, que não sou bem bem-vindo", garante. O próprio irmão, que diz mudar de passeio se se cruzarem na rua, fez questão de lhe dizer que estava tudo acabado entre eles, relatou o dissidente Jeová.

 

Vítor tornou-se um "apóstata" aos 33 anos, depois de terminar o primeiro dos seus dois casamentos, já que no seio da confissão religiosa o divórcio "não é bem encarado e dá direito a desassociação".

 

Se se arrependesse, podia ter ficado. "Mas eu achava que o meu comportamento não se adequava ao comportamento típico das testemunhas de Jeová e decidi sair. Foi a partir daí que começaram os problemas com a minha família", recorda Vítor, que reside em Matosinhos.

 

Hoje, Vítor alimenta o blogue O Talho e a Cidade, onde procura transmitir ao grande público "o que se passa por detrás" de um grupo religioso que recusa a transfusão de sangue e que ocupa os domingos a bater à porta dos cidadãos em busca de novos aderentes às suas crenças.

 

Num dos posts, cita "documentos supostamente confidenciais que caíram na internet por intermédio de fiéis dissidentes", onde as ex-testemunhas de Jeová são descritas como pessoas que, "por meio de raciocínios falsos (...) procuram causar a ruína espiritual dos servos de Jeová". Recusa, contudo, admitir que o seu blog seja retaliatório ou um instrumento de contra propaganda.

 

"A minha intenção não é mudar seja quem for, muito menos os meus pais. O que eu quero é ser livre e ter a minha família de volta. Mais nada", afirma.

 

O movimento religioso Jeová começou em Allegheny, no estado norte-americano da Pensilvânia, por volta de 1870 por iniciativa do comerciante Charles Taze Russell. Os seus seguidores começaram por se designar Estudantes da Bíblia, tendo adquirido o nome "Testemunhas de Jeová" a partir de 1931. Cerca de 7,5 milhões em todo o mundo, os seguidores do culto são evangelizadores persistentes, recusam transfusões de sangue, a Bíblia é o manual da sua vida pessoal, familiar e profissional e não toleram o abandono da confissão religiosa. A sua principal publicação é a revista quinzenal "A Sentinela", que distribui 42 milhões de exemplares em 188 idiomas.

 

Numa edição de 1981,a revista assinalava que "os que se tornam 'não dos nossos' por deliberadamente rejeitarem a fé e as crenças das Testemunhas de Jeová devem ser encarados e tratados apropriadamente como aqueles que foram desassociados por causa duma transgressão".

Lusa/fim

 

 

 Outra nóticia

 

 

Religião: Testemunhas de Jeová negam "privação de liberdade" no corte de relações com ex-membros (c/áudio)

 

Número de Documento: 12889009

 

Lisboa, Portugal 06/08/2011 08:42 (LUSA)

Temas: Religião

  

 

*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***

 

Lisboa, 06 ago (Lusa)

 

A orientação das Testemunhas de Jeová para o corte de relações com quem sai da religião é "um conselho sábio" e não uma "privação de liberdade", destaca o porta-voz da organização, Pedro Candeias, face a queixas de ex-membros à agência Lusa.

 

Vítor Máximo, 40 anos, residente em Matosinhos, e Jorge Ventura, 39 anos, residente em Castelo Branco, são dois ex-membros que acusam a religião de ter levado os pais, outros familiares e amigos a virarem-lhes costas, pondo em causa liberdades fundamentais.

 

Mas, segundo Pedro Candeias, as Testemunhas de Jeová encontram a justificação "na bíblia sagrada", segundo a qual "quem anda com pessoas sábias torna-se sábio, mas irá mal aquele que tem tratos com os estúpidos", refere. "Não se pretende catalogar ninguém, mas é um alerta sobre associações", acrescenta, sublinhando que "nunca a crença envolve odiar pessoas". Pedro Candeias compara a orientação a tradicionais conselhos de um pai para um filho sobre boas e más companhias na escola, atribuindo a uma entidade divina (deus, denominado Jeová) o "conselho sábio e amoroso, não privador de liberdade".

 

Face às queixas de restrição de liberdades por parte de ex-membros, aquele responsável contrapõe dizendo que "também é um direito das Testemunhas de Jeová não querer privar com quem não segue os ensinamentos da Bíblia". A decisão sobre o corte de relações "compete a cada um" e cada novo membro é "totalmente esclarecido" sobre a religião antes de assumir a crença, diz.

 

Pedro Candeias compara a situação às leis nacionais: "cada país tem os seus códigos legislativos" que devem ser respeitados, exemplifica. E em cada país "existe a figura da extradição para quem não respeita as normas". Para Pedro Candeias, os ex-membros "são livres de se queixar e dizer o que têm na mente e coração, mas cada um faz as escolhas que quer". "Apreciamos muito que respeitem as crenças das Testemunhas de Jeová como estas respeitam as dos outros", conclui.

 

LFO.

 

Lusa/fim

http://www.acorianooriental.pt/noticias/view/217994


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publicado por Justiceiro, em 27.09.11 às 18:29link do post | | | favorito

 

Para a organização das Testemunhas de Jeová, todos os outros movimentos religiosos são falsas religiões e fazem parte da Babilónia "a grande prostituta", descrito no livro do Apocalipse.

 

As Testemunhas de Jeová consideram-se a única religião verdadeira, a única organização que Deus realmente aprova. Todas as outras serão destruídas no Armagedão. A literatura Jeovista está repleta de duras críticas, chegando mesmo a escarnecer de todas as outras confissões. Em resumo, para as Testemunhas de Jeová, só existe uma religião verdadeira: a deles.

 

O mesmo acontece com aqueles que abandonam as fileiras da seita. Além de serem completamente ostracizados, ainda são rotulados com uma vasta panóplia de adjectivos. “Adoradores do Diabo”, “mentirosos”, “falsos”, “imundos”, etc., são palavras que fazem parte do vocabulário Jeovista. Não é difícil percorrer a literatura das Testemunhas de Jeová e encontrar essas “amorosas” expressões dirigidas a todos aqueles que simplesmente ousaram questionar os ensinamentos da Torre de Vigia. Mas, o adjectivo mais usado para definir esta “espécie de gentalha”, é o de Apóstata. Alterando o verdadeiro significado do termo apóstata, e usando de uma forma errónea as escrituras bíblicas, as Testemunhas de Jeová insultam, humilham todos os que já foram os seus irmãos de fé, fazendo deles uns autênticos facínoras simplórios.

 

Todo este tipo de linguajar saindo da boca dos que se dizem “representantes de Deus”, faz com que a maior parte dos que foram seguidores da seita, usem tais termos como forma de provocação. Embora nenhuma ex-Testemunha de Jeová se considere apóstata (pelo menos nos moldes em que a Torre de Vigia se refere a eles), muitos são aqueles que, de uma maneira sarcástica, o empregam à sua própria pessoa.

 

Há um medo (irracional) em volta do individuo “apóstata” e o mesmo é visto como um fiel seguidor do Demo… O pavor existente foi criado pelos “gurus” da seita: o Corpo Governante. Uma das maneiras de afastar todos os fiéis do que realmente se passa nas entranhas da seita, foi diabolizar aqueles que procuram saber mais sobre a Torre de Vigia e os seus podres: os apóstatas.

 

Foi neste contexto que se realizou no passado sábado o primeiro encontro de ex Testemunhas de Jeová em Portugal. Todos nós já nos conhecíamos virtualmente e todos temos algo em comum: somos indesejados pelas Testemunhas de Jeová. Simplesmente porque desejamos sair da seita e porque expomos as suas cruéis leis internas, todos os membros das Testemunhas de Jeová são forçados a não nos ouvir ou sequer ler algo escrito por nós. Mas porque os possuidores da “verdade”, esses mesmos que dizem ter Deus do seu lado, tem medo de uns simples “apóstatas”? A resposta é demasiado óbvia…

 

Não éramos muitos nesse encontro. Alguns ainda são Testemunhas de Jeová e vêem-se obrigados a continuar na Organização, não por hipocrisia, mas por medo de serem lançadas no solitário e escuro calabouço social reservado aos dissociados ou desassociados, além de receberem o horrendo rótulo de "apóstatas". Em Portugal os primeiros passos estão a ser dados para denunciar a descriminação religiosa empregada por este grupo religioso. Sábado fomos apenas 4, mas temos a total certeza que brevemente seremos muitos (até porque já existem contactos nesse sentido). Nesta reunião tivemos oportunidade de pôrr algumas ideias e alguns projectos em cima da mesa. Existe um que me deixou particularmente empolgado, mas sobre isso falarei na devida altura! Um Fórum de discussão em português de Portugal, foi criado. Falamos de mil e uma coisa, e esse encontro também serviu para nos conhecermos melhor.

 

Foi com agrado que conheci o Vítor 7607. Um homem maduro, com um nível de cultura acima da média e com um profundo conhecimento do passado e presente da sociedade Torre de Vigia. Foi com prazer que fiquei a conhecer o Ellipsis e o seu senso da minucia, onde tudo é planejado ao pormenor e nada é deixado ao acaso. Gostei das palavras certeiras do Português 24, possuidor de um discurso coerente e dono de um Português correto (não fosse ele professor!). Falta apenas eu, o Justiceiro, mas sobre a minha pessoa, outros falarão! Todos formamos ao que decidi chamar num tom jocoso: os 4 Cavaleiros da Apostasia!

 

Os nossos objectivos ficaram decididos: as vozes das ex-Testemunhas de Jeová têem de ser ouvidas. Já várias acções foram feitas nesse sentido, e outras estão a caminho. Não aceitamos o tratamento desumano que é dado a todos aqueles que de livre vontade, ou não, deixaram de pertencer a essa seita cruel e inquisidora.

 

À semelhança de outros países, estamos confiantes que mais cedo ou mais tarde a “apostasia” não será aquele “bicho papão” que a sociedade Torre de Vigia quer fazer crer, mas sim um movimento de pessoas que existe para ajudar o próximo…

 


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publicado por Justiceiro, em 17.08.11 às 19:23link do post | | | favorito

 

Depois de alguns acontecimentos (recentemente fui entrevistado pela agência noticiosa Lusa para prestar o meu depoimento sobre a descriminação exercida pelas Testemunhas de Jeová aos seus ex fiéis- entre outros- mas sobre isso, falarei mais tarde, noutro post), achei que não faria mais sentido manter-me no anonimato e que todos os que lêem este blogue, deveriam saber na verdade, quem se esconde por trás do mesmo. Foi quase há 2 anos que aceitei o repto de alguns amigos e familiares de criar este blogue. No início não sabia quanto tempo o mesmo ficaria no ar, por achar que nunca teria matéria para escrever… Os dias, os meses foram passando e verifico agora que não escrevo mais, por falta de vontade da minha parte.

 

No início desta aventura mal sabia qual nome a dar a este blogue, não acreditando muito na sua continuidade. Mas veio-se a revelar totalmente o oposto. Ao fim de pouco mais de um ano de existência, vi este mesmo espaço ser destacado pela equipe do Sapo (aqui), dando-me assim algum animo para continuar. Este lugar serve para mim como uma espécie de diário pessoal, onde falo de tudo um pouco, mas geralmente em assuntos do meu interesse e que de uma ou outra maneira me marcam ou marcaram... Quem é mais observador, verificou que nos primeiros tempos de vida do blogue, eu falava de um amigo (o meu melhor amigo), e de algumas das suas “façanhas” com membros da sua família… Recordarão as ocasiões que comento o tratamento que lhe é dado pelos seus pais, irmão e todos os seus amigos de infância… Relembrarão que o principal tema de conversa do meu blogue é religião. Decidi que hoje contaria toda a verdade sobre essa pessoa. Não sei muito bem porque ainda não o fiz. Talvez por vergonha ou medo de o prejudicar ainda mais…

 

Na realidade quando me refiro a esse amigo, estou a falar da minha pessoa. Desde a minha nascença e até aos trinta e três anos de idade, fiz parte de uma dominação religiosa chamada “Testemunhas de Jeová”. Cresci no meio de uma doutrina bastante severa, onde tudo é feito para não haver lugar a dúvidas, e onde as perguntas não são bem aceites. Desde a minha mais tenra infância fui obrigado a aceitar tudo o que ouvia como sendo a única verdade suprema, vinda directamente de Deus através do seu representante aqui na terra. Esse representante dá pelo nome de Corpo Governante (conjunto de pessoas sediadas em Brooklyn, Nova York, com autoridade mundial sobre todas as Testemunhas de Jeová). Não era para mim particularmente difícil acreditar em todas as doutrinas Jeovistas, visto estar submetido a elas desde sempre e não conhecer mais nada a não ser as publicações editadas pela Watchtower, ou Torre de Vigia (designação legal das Testemunhas de Jeová), tais como as conhecidas revistas “A Sentinela” e “Despertai” entre outros. Qualquer outra leitura com conotação religiosa ou filosófica é simplesmente proibida, podendo dar origem a desassociação (expulsão).

 

Os anos foram passando e cada vez estava mais familiarizado e enraizado com aquilo a que as Testemunhas de Jeová chamam de “A Verdade” (conjunto de crenças dadas por Deus ao seu povo para os orientar). Tive uma vida bastante activa no seio deste grupo religioso. Todas as Testemunhas de Jeová são orientadas, compelidas a preencherem mensalmente um certo número de horas na chamada “pregação” de porta a porta, e eu não era excepção. Se tal requisito não é atingido durante um período determinado (poucos meses), os prevaricadores são rotulados como estando fracos na fé, como sendo presas fáceis de Satanás e nos casos onde a pessoa não atinge a carga horária imposta durante muitos meses consecutivos, então essa mesma já era tratada como estando debaixo do domínio do Diabo… Não querendo pertencer a nenhum destes grupos, todos os domingos, fizesse sol ou chuva, lá ia eu pregar a palavra do Todo-Poderoso. Como todas as Testemunhas de Jeová eu tinha o meu tempo preenchido.

 

 À Segunda-feira estudava com os meus pais um pequeno livro editado pela Sociedade Torre de Vigia. Na Terça-feira voltávamos a estudar o livro mas desta vez com um pequeno grupo de outras Testemunhas. A duração dessa reunião era de uma hora. Na Quarta-feira, os meus pais e eu, recapitulávamos em casa, o que iríamos ouvir na reunião de quinta. Quinta-feira reunião de duas horas… Sexta era o único dia em que não tínhamos de estudar pois não havia reunião (culto) no Sábado. Chegava o Sábado e por vezes eu tinha de ir pregar, pois ainda não tinha atingido as horas necessárias estipuladas pela Sociedade. Mas Sábado também era o dia de estudarmos em família a revista A Sentinela. Domingo é o dia mais importante para todas as Testemunhas de Jeová. De manhã saída obrigatória para pregar “as boas novas do reino” (porta a porta), de tarde reunião de duas horas juntamente com todos os irmãos de fé. Escusado será dizer que toda a Testemunha de Jeová cuidadosa, tem o seu tempo completamente absorvido. Toda esta maneira de proceder tem uma razão de ser. Estando ocupados com as supostas “coisas sagradas”, não teríamos tempo para pensar ou de nos distrairmos com as coisas “inúteis do mundo”. A repetição contínua, e prolongada das mesmas palavras e dos mesmos termos, são conhecidas como técnicas de controlo mental. A minha mente foi formatada desde a mais tenra idade para acreditar cegamente em tudo o que ouvia. Durante anos, semanas e de uma forma diária, os meus ouvidos perceberam sempre a mesma realidade, de uma maneira consecutiva sem ter a hipótese de poder conhecer outros factos.

 

Os anos foram passando e a minha fé foi aumentando até chegar ao ponto de me baptizar. O gesto do baptismo entre as Testemunhas de Jeová é encarado como uma oferta a Deus, a dedicação total a uma Divindade Superior. A partir daquela data a minha vida pertencia a Jeová. Só bem mais tarde é que percebi o quão errado eu estava… A minha existência não foi dedicada a Deus mas sim a uma organização sectária e tirânica. Toda a minha vida foi regulada ao mais ínfimo pormenor pelas doutrinas Jeovistas. Tudo o que eu fazia não podia ser contrário às leis de Deus (leia-se da organização), sob pena de estar a pecar contra Ele, e isso era o que mais temia…Hoje com algum recuo, verifico como essa seita controla e consegue de uma forma simples manobrar as vidas dos seus súbditos. Nada é deixado ao acaso. Além das “mil e uma” regras de conduta, chegam ao cúmulo de controlar a maneira de vestir, ou até mesmo um simples corte de cabelo.

 

Como pode um povo com imensas proibições (ver aqui) dizer e fazer crer que são felizes? Como pude eu estar durante mais de 30 anos sujeito a tais regras sem nunca questionar nenhuma e achar que tudo era normal e para o meu próprio bem?

 

Talvez para fugir da educação rigorosa dos meus pais e como é hábito na grande maioria dos jovens Testemunhas de Jeová, casei muito cedo. Foi com apenas 21 anos que dei o nó com outra (ainda mais) jovem, também ela Testemunha de Jeová (como não poderia deixar de ser!). Não estava minimamente preparado para dar esse salto na minha vida. Ao fim de 12 anos e depois de uma fase muito complicada, decidimos por término ao nosso enlace. Como o divórcio não é permitido entre as Testemunhas de Jeová, fui desassociado. De nada serviu os mais de 30 anos de bons e leais serviços em favor da Watchtower. Passei de um dia para o outro e como se diz na gíria, de (literalmente) “bestial a besta”. Todos o que eu conhecia até a data, passavam por mim agindo como se eu fosse um mero estranho. Aqueles que foram até ali meus únicos amigos (as Testemunhas de Jeová são ensinadas a não fazerem amizades fora do seu circulo, tratando todos os que não são da sua crença como “pessoas do mundo”), simplesmente não me reconheciam e para eles, eu sou um adorador do diabo. Existia ainda aqueles que me olhavam com ar de superioridade e nojo. Todo este comportamento me incomodava e me magoava, mas mesmo assim, eu julgava que era o que havia a fazer, pois tal era a vontade de Jeová. Os meus pais embora nunca tivessem deixado de me falar (conforme ditam as regras Jeovistas) não estavam à vontade com a minha presença. O tratamento não era o mesmo. Nunca mais tive o prazer de ter uma refeição com eles. Desde que fui expulso, não sei o que é um almoço ao domingo (ou qualquer outro dia), a volta da mesa, discutindo de tudo e de nada (a vida faz-se destas pequenas coisas). Tenho saudades destes pequenos momentos…

 

Fui proscrito da seita porque não mostrei arrependimento e não quis voltar. Devido às suas leis internas, todos os membros da organização são obrigados a deixar de conviver comigo, afastando-se de mim, virando-me as costas, agindo como que se eu fosse possuidor de alguma espécie de doença contagiosa e qualquer tipo de contacto pode ser fatal. Um simples “olá” é tido como uma possível reconciliação e tal comportamento é passível de expulsão. Graças a essas leis não Bíblicas, saídas da cabeça de alguns iluminados, os meus próprios pais deixaram de ter um relacionamento e convivência normal e sadia comigo, tentando evitar-me ao máximo só falando comigo em casos pontuais. O culminar de todas essas “amorosas” leis internas, foi quando decidi casar e onde não pude ter o prazer da presença dos meus pais, nesse que foi para mim, um dia importante… 

 

Sentia-me culpado por ter deixado a verdadeira organização de Deus e por ter toda a gente contra mim. Estava sozinho, sem ninguém, sem família e sem amigos… Pensei seriamente em voltar para poder ter novamente um contacto normal com os meus pais, e os meus amigos…


Mais tarde conheci aquela que viria a ser a minha esposa. Foi com ela e graças a ela que consegui pensar de maneira diferente e ter outra visão do “mundo exterior”. Ela teve uma educação católica, com uns pais que sempre a apoiaram e que lhe proporcionaram tudo o que não tive. Ensinou-me o gosto pela leitura e pelo conhecimento. Como a área dela era a cultura, falava-me de temas que nunca tinha ouvido até a data. Gostava de lhe fazer perguntas e quase sempre obtinha as respostas. Ficava fascinado com as suas narrações sobre determinada matéria. Afinal, existia mundo fora da Organização de Jeová…


Por incrível que possa parecer, nunca na minha vida tinha lido um livro. Até a data a única literatura que lia era apenas os manuais editados pela Watchtower. Foi estranho contactar com um mundo que eu desconhecia. Comecei a descobrir um mundo novo, um mundo que me foi negado e escondido. Sempre me ensinaram que tudo era escrito para nos desviar da “verdadeira organização de Deus”, uma armadilha de Satanás o Diabo. Nunca a minha esposa me falou de religião, ou sequer criticou alguma vez as doutrinas Jeovistas (a não ser sobre as famosas transfusões de sangue). Sempre estive à vontade para acreditar (ou não) no que quisesse. Não existia portanto qualquer tipo de pressão por parte dela. Cada vez que o assunto era religião, quem tentava impor qualquer tipo de crença era eu. Embora tivesse sido desassociado, ainda acreditava cegamente que as Testemunhas de Jeová eram a única religião verdadeira. Mais de 30 anos de doutrinas Jeovistas não podiam ser apagadas de um dia para o outro… Recordo-me das inúmeras vezes que acordava sobressaltado, chorando sufocadamente por ter tido um pesadelo sobre o Armagedão (guerra de Deus onde 99,9% da humanidade será destruída e apenas as Testemunhas de Jeová serão salvas) e que Deus me iria aniquilar por ter abandonado a Sua organização. Ainda me encontrava sobre o domínio psicológico da seita.

 

Chegara o dia em que tinha de tomar uma decisão: voltar ou não. Fiz parte à minha mulher e aos meus amigos das minhas intenções de voltar para as Testemunhas de Jeová. Todos foram unânimes: “Se te irá fazer bem, talvez seja o melhor”. Como era possível aquelas pessoas que são diabolizadas pelas Testemunhas de Jeová, e tratadas como “os do mundo”, gente em quem não se pode confiar, pessoas que são usadas pelo próprio Satanás, recomendarem o meu regresso a uma religião que nem sequer elas acreditam? Não fazia sentido. Mesmo assim, tomei uma decisão: regressar.

 

Certo dia ao navegar na Net, decidi digitar o nome “Jeová”. Qual não foi a minha admiração quando verifiquei que existem um sem número de Sites dedicados ao tema. Muitos deles falavam de assuntos impensáveis aos meus olhos. Uns supostos erros da Torre de Vigia com encobrimento da mesma. Como ainda estava sobre influência das doutrinas Jeovistas, não acreditei em nada do que lia. Sabia que tudo o que estava ali, era apenas para denegrir a imagem das Testemunhas de Jeová, portanto uma mentira. Graças aos conselhos da minha esposa que costumava dizer que não se devia acreditar em tudo cegamente, partindo do princípio que tudo é mentira, sem primeiro verificar a veracidade de tais argumentos, decidi no dia seguinte voltar a Net.

 

O primeiro assunto que pesquisei foi sobre a ONU (Organização das Nações Unidas) e as Testemunhas de Jeová. Depois de um dia inteiro agarrado ao computador, verificando as informações, não podia acreditar no que lia. As Testemunhas de Jeová estiveram cerca de 10 anos ligadas a ONU. Nada haveria a dizer desse respeitável organismo internacional, criado para unir nações e apaziguar conflitos. Para a maioria das instituições religiosas, representa motivo de júbilo e orgulho. Mas não para as Testemunhas de Jeová. Elas são diferentes. Para os adeptos dessa denominação, um vínculo entre a sua sede e a ONU seria impensável, mais que isso, um insulto. Porquê? É simples: por décadas, os líderes da Torre de Vigia têm feito repetidos ataques morais à ONU nas suas publicações. Na verdade, tais ataques tiveram início em 1919, quando a ONU ainda não existia, mas a sua antecessora, a Liga das Nações, criada após a I Guerra Mundial. Essa atitude manteve-se após a II Guerra, com a criação das Nações Unidas. Durante todo esse tempo, a doutrina oficial das Testemunhas de Jeová, conforme ensinada pela sua liderança nos EUA, tem sido: a ONU representa a “fera cor de escarlate” retratada no livro bíblico de Apocalipse (ou Revelação, cap. 17, versículo 3), sobre cujo lombo se assenta uma meretriz. As Testemunhas crêem que tal “fera” simboliza o poder político reunido na ONU e a meretriz simboliza o poder religioso (em especial, a “cristandade”), aliado do primeiro. Para elas, a força de ambos origina-se do diabo, seu concebido e sustentador. Adjectivos como "repugnante", "detestável", "abominável"  e "blasfemo" foram repetidamente dirigidos à ONU desde a sua fundação, na literatura das Testemunhas de Jeová. Até mesmo a destruição desse organismo internacional por parte de Deus tem sido prevista e desejada por elas  durante décadas (segundo as suas crenças, as Nações Unidas haveriam de patrocinar, algum dia, uma agressão aos sistemas religiosos, culminando numa perseguição às próprias Testemunhas de Jeová). Diante desse quadro, era  normal que os adeptos da Sociedade Torre de Vigia reagissem a tal notícia com indignação e cepticismo. Se verdadeira, ela teria sérias implicações. A principal delas - a organização central das Testemunhas de Jeová teria traído cerca de 6 milhões de adeptos espalhados pelo mundo, por toda uma década.

 

Na minha pesquisa pelo mundo virtual da internet, sucederam-se em catadupa revelações até então inimagináveis. Quem das Testemunha de Jeová, teve conhecimento das falsas previsões desde o tempo de Charles Taze Russel (fundador da seita) para o Armagedão?


- Do envolvimento em ocultismo por parte dos líderes da Torre de Vigia, que acabaram envolvendo os demais adeptos por décadas a fio (o caso do espírita, Johannes Greber, entre outros)?

 

- Das crenças dos líderes da Sociedade em pseudo-ciências, bem como os seus ataques à medicina tradicional (vacinas, transplantes, uso de derivados de sangue, etc. expondo a vida das Testemunhas de Jeová desnecessariamente ao risco?

 

- Do perjúrio cometido na Bulgária, ao assinar um acordo com as autoridades daquele país em 1995?

 

- Do caso de mudança de cobrança pela literatura, cujo objectivo foi tão somente fugir aos impostos, depois de Jimmy Swaggart, um pastor de outra seita, apoiado pela Torre de Vigia judicialmente, ter perdido a sua causa em justiça?

 

- Da quebra de “neutralidade Cristã”, nos episódios envolvendo a “Declaração de Factos” e a vergonhosa carta a Hitler, bem como a aprovação de Rutherford (segundo presidente da sociedade Torre de Vigia), a compra de bónus de guerra, e o dia de oração em favor dos aliados da segunda guerra?

 

- Do caso de sonegação de impostos em França?

 

- Dos frequentes casos de pedofilia, ocultados pela Torre de Vigia? Etc., etc…

 

Durante trinta e cinco anos esconderam-me factos que só agora vim a descobrir. Senti-me traído, enganado e usado… Primeiro tentei verificar a veracidade de tais descobertas e só depois, tentei falar disso aos meus pais. Não queria que eles vivessem mais na ignorância. Tal escolha foi fatal para a minha pessoa. Fui intitulado de adorador do Diabo, mentiroso e de apóstata (termo usado a quem sai da organização por não apoiar as suas doutrinas).

 

Passaram-se meses de autêntico martírio. Só pensava numa coisa: como pude ser atraiçoado por uma organização que eu julgava ser a única representante de Deus? Sei que para alguns, será difícil abranger a dimensão de tal situação, mas foi toda uma vida que eu vi desperdiçada em nome de uma religião. Mais de 30 anos da minha existência foram perdidos a defender algo completamente dissimulado. Diariamente dava por mim a relembrar pormenores do passado dentro da seita, recordando as inúmeras vezes em que servi fielmente aquela organização. Não conseguia reter as lágrimas perante as descobertas diárias que ia fazendo nas minhas pesquisas. Todo o meu mundo a minha volta tinha-se desmoronado. Em quem acreditar agora? Sentia-me desprotegido e indefeso. Quem afinal tem a verdade? E Deus é mesmo Jeová? Fiquei com imensas dúvidas, e com um sem fim de perguntas. E agora, o que tenho de fazer e para onde tenho de ir?

 

Tive de reaprender a viver. Sempre que recordo esse período, comparo-me a um robot. Fui programado a pensar e a agir de uma determinada maneira. Mais de 30 anos de doutrinas castradoras fizeram de mim uma pessoa que não estava acostumada a pensar nem a fazer perguntas (afinal para quê, se todas as respostas estavam na literatura Jeovista). As minhas crenças ditavam toda a minha vida e eu era obrigado a obedecer as mesmas cegamente. Tive que ser reprogramado e aprender a viver em sociedade. Sabia que por exemplo se eu participasse numa festa de anos, Deus não me iria castigar por isso. Foi estranho festejar os meus próprios anos pela primeira vez aos 35 anos. Nunca ninguém me tinha cantado os parabéns. Foi um misto de alegria e tristeza… Lembro-me do meu primeiro acto para simbolizar a minha liberdade: comer uma rodela de morcela! Parece quase anedótico esta experiencia, mas para uma Testemunha de Jeová ingerir sangue é um pecado capital. Recordo-me que foi no São João, estava em cima da mesa algumas corricas de morcelas, olhei para as mesmas, peguei num palito e disse para a minha esposa: “já não tenho medo de comer isto”…

 

Todas estas descobertas fez com que gradualmente eu fosse mudando. Dei por mim a contemplar a vida de outra maneira e gostar da mesma de uma forma diferente, mais apaixonada. Aprendi que afinal é possível ter amigos fora da organização das Testemunhas de Jeová. Comecei a ler cada vez mais. Aprofundei o meu conhecimento sobre determinada matéria. Interessei-me por religião e hoje, graças as Testemunhas de Jeová e as suas doutrinas maldosas que visam apenas o medo e a repressão, deixou de fazer para mim sentido, a existência de qualquer tipo de Divindade. Acreditar na existência de um criador e defender algo superior ao homem, não tem mais cabimento. Sou um total defensor da evolução natural das espécies. Orgulhosamente apresento-me como Ateu.

 

Estimo toda e qualquer opinião, assim como também respeito toda e qualquer crença. Tenho sim repúdio por indivíduos que tentam impor algo a outros a qualquer custo, obrigando-os a aceitar as suas crenças como fazendo parte de uma suposta verdade suprema. Odeio fanatismos e enoja-me quem em nome da bíblia ou qualquer outro livro dito “inspirado” ousa amaldiçoar outros apenas e tão somente porque esses decidiram não acreditar no mesmo do que eles… Actualmente no meio de tantas certezas, existe uma que tenho como incontornável: fui Testemunha de Jeová por muitos e longos anos, mas sei que nunca mais lá voltarei nunca mais.

 

Hoje finalmente posso afirmar que sou livre e não estou preso a uma religião e seus líderes. O pavor de um qualquer cataclismo originado por um Deus não me mete mais medo. Não preciso seguir algum tipo de crença ou acreditar em algum Deus ou Deuses para ser detentor da moral e dos bons princípios.  Tudo que há de bom nas escrituras, como a regra de ouro, por exemplo, pode ser apreciado por seu valor ético, sem a crença de que isso nos tenha sido transmitido pelo criador do universo. 

 

Toda esta espécie de metamorfose não seria possível sem a cooperação de uma pessoa especial: a minha esposa. Foi ela que nos momentos mais difíceis sempre esteve do meu lado, apoiando-me sem mesmo talvez perceber muito bem até que ponto podia um homem estar tão dependente de uma religião. Foi a minha mulher que durante meses a fio aguentou os meus devaneios sobre as Testemunhas de Jeová. Foi a mesma que me viu triste, desesperado, desorientado e sem saber realmente o que deveria fazer, aconselhando-me sempre de maneira positiva. Foi ela que me “ergueu” e que tratou de me dar animo para recomeçar de novo. Graças a ela consegui enfrentar um dos piores momentos da minha vida. Mesmo depois de todas estas desventuras e sabendo o que realmente se esconde por trás da seita Testemunhas de Jeová, ela foi incapaz de os odiar ou até mesmo julgar. As atitudes da minha companheira ensinaram-me uma coisa: eu tinha de ser melhor que esses que se dizem “o povo escolhido de Deus”… Todos os que me rodeiam são unânimes: tudo isto tornou-me melhor enquanto Ser humano. Como costumava dizer o meu avô: há males que vêm por bem. Nada mais verdade…

 

Por tudo isto e por muito mais, obrigado. Amo-te.

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sinto-me:

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publicado por Justiceiro, em 23.07.11 às 01:39link do post | | | favorito

 

Falar sobre as Testemunhas de Jeová, é falar de um grupo quase que secreto e que muito pouca gente realmente conhece.

 

Todos nós temos esses indivíduos como gente cordial, educada e de trato fácil. Mas a realidade é bem mais complexa. Com certeza que existirá no meio Jeovista pessoas boas, mas estas mesmas deixam-se moldar por uma doutrina castradora que lhes comanda a vida ao mais ínfimo pormenor. A palavra “ínfimo” não é exagerada, pois a vida duma Testemunha de Jeová é regulada por um sem número de regras e ditames, desde de como agir no dia a dia nas mais diversas situações, passando pelo tratamento a dar aos que deixaram de pertencer à seita… Certas regras de conduta, vão até interferirem na própria vida privada e íntima dos fiéis, chegando a roçar algumas delas o ridículo…

 

Deixo aqui algumas interdições que as Testemunhas de Jeová têem como obrigação obedecer. A desobediência constante a alguns destes preceitos, pode originar a expulsão do prevaricador…


 


Proibido celebrar o dia da mãe


Proibido celebrar o dia do pai

 

Proibido celebrar aniversários


Proibido celebrar a véspera ou o dia de ano novo


Proibido celebrar o Natal


Proibido celebrar o Halloween


Proibido celebrar a páscoa


Proibido celebrar qualquer tipo de feriado

 

Proibido brindar


Proibido ser escuteiro

 

Proibido ir “a tropa”

 

Proibido ser policia

 

Proibido ter qualquer tipo emprego que obrigue o porte de uma arma

 

Proibido praticar artes marciais

 

Proibido caçar

 

Proibido ser voluntário em qualquer tipo de organização humanitária ou mesmo contribuir para essas mesmas organizações

 

Proibido unir-se a qualquer organização com laços ao Cristianismo


Proibido assistir as reuniões de turma

 

Proibido candidatar-se à presidente de turma

 

Proibido participar em festas ditas pagas (Natal, Páscoa, São João etc.) na escola

 

Não é proibido, mas é desaconselhado seguir estudos superiores

 

Proibido qualquer tipo de competição, mesmo no quadro escolar

 

Proibido o desporto a nível profissional


Proibido receber prendas de pessoas com laços ao espiritismo

Proibido saudar a bandeira


Proibido cantar o hino nacional


Proibido a filiação a um partido político e participar em campanhas partidárias.


Estritamente proibido votar nas eleições (seja elas quais forem), ou participar em referendos

 

Proibido doar sangue


Proibido aceitar sangue

Proibido armazenar seu próprio sangue antes de uma operação


Proibido comer alimentos com sangue


Proibido divorciar-se, a não ser em caso de adultério


Proibido atirar arroz em casamentos


Proibido dizer quando alguém espirra "Deus te abençoe" ou "viva " etc.

 

Proibido usar expressões tais como "Minha Nossa!", "Cruz”, “Credo!" etc.


Proibido dizer "que sorte" ou desejar a alguém que tenha sorte


Proibido dizer "foi o destino"


Proibido usar a expressão "eu adoro"

 

Proibido retribuir felicitações festivas (apenas um “obrigado” é permitido)

 

Proibido jogar na loteria

 

Proibido comprar rifas

 

Proibido uma mulher ocupar um cargo de responsabilidade dentro da seita

 

Proibido uma mulher rezar em voz alta na presença de homens, sem cobrir a cabeça


Proibido usar ou possuir uma Cruz


Proibido associar-se regularmente com não crentes


Proibido associar-se com membros expulsos ou que quiseram sair de livre vontade


Proibido falar com ex-Testemunhas de Jeová e nem um “olá” deve-lhes ser dirigido


Proibido processar outra Testemunha de Jeová

 

Proibido namorar com um não crente


Proibido casar com um não crente

 

Proibido entrar em igrejas quando estiver a decorrer alguma cerimónia religiosa


Proibido casar numa outra religião ou assistir a um casamento numa outra Igreja


Proibido assistir a uma cerimónia fúnebre de uma outra religião


Proibido estudar outros artigos religiosos, a não ser apenas os editados pela seita


Proibido ler informações contraditórias às doutrinas da seita


Proibido questionar qualquer doutrina do movimento


Proibido associar-se com vizinhos “do mundo” (leia-se que não pertencem a seita)

 

Proibido ser sindicalizado


Proibido a participação em greves ou actos políticos


Proibido a prática de ioga, ou qualquer tipo de meditação oriental

 

Proibido ler o horóscopo

 

Proibido ser hipnotizado

 

Proibido usar amuletos

 

Proibido contar histórias que envolvam “seres do além” (fantasmas, espíritos, etc.)


Proibido usar t-shirts de clubes de futebol ou mesmo da selecção

 

Proibido ser fã de algum artista (seja ele actor, cantor etc.)

 

Proibido ter pósteres de algum ídolo


Proibido certas posições no acto do coito


Proibido o sexo anal e oral

 

Proibido a masturbação

 

Proibido ver filmes eróticos

 

Proibido ver filmes pornográficos


Proibido o homem cumprimentar outra mulher com um beijo na face (mesmo no seio da seita)


Proibido ouvir música “Heavy Metal”

 

Proibido frequentar discotecas


Proibido ver filmes de terror


Proibido usar saia curta


Proibido usar uma blusa transparente

 

Proibido o homem pintar o cabelo

 

Proibido usar barba

 

Proibido ter tatuagens

 

Proibido usar qualquer tipo de cabelo comprido (se for do sexo masculino)


Proibido usar brinco (homem)

 

Proibido o uso de piercing

 

Proibido fumar


Proibido ser cantor/a


Proibido ser actor/a

 

Proibido ser bailarino


Proibido dar entrevista falando em nome das Testemunhas de Jeová, sem autorização dos superiores da seita

 

Proibido ter um site ou blogue para divulgar a doutrina Jeovista

 

Proibido visitar sites ou blogues de outras religiões, ou qualquer um que conteste os ensinamentos Jeovistas (pelos vistos, este é um deles!)

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publicado por Justiceiro, em 06.07.11 às 17:30link do post | | | favorito

 

Quando afirmamos a uma Testemunha de Jeová que o seu movimento religioso é uma seita, a mesma além de não concordar (o que até me parece normal visto a manipulação mental exercida sobre ela), fica irritada, agindo de forma pouco racional. Muitas vezes nem sequer sabe qual a definição da palavra “seita” e o único argumento que encontra (e parece ser o único que aprendeu), é que não são uma seita porque tão simplesmente não seguem a homens e seus mandamentos…

 

Ora o "Dicionário Priberam da Língua Portuguesa" dá a seguinte definição da palavra seita:

"(latim secta, -ae, caminho, linha de conduta, princípios, escola filosófica)

Grupo que segue uma doutrina que deriva ou diverge de uma religião".

 

De onde surgiram as Testemunhas de Jeová?


O movimento religioso começou na cidade de Allegheny, Pensilvânia, Estados Unidos da América, por volta de 1870. O seu criador chamava-se Charles Taze Russell, um comerciante, nascido naquela cidade a 16 de Fevereiro de 1852. Ele foi criado como Presbiteriano, mas afiliou-se à Igreja Congregacional. Desapontado com as religiões, perdeu a sua fé na Bíblia. Uma noite, em 1869, assistiu a um culto numa Igreja Adventista e recuperou a fé.  Formou um  grupo independente de estudo e, em 1877, associou-se a Nelson Barbour, um Segundo Adventista, com o qual passou a produzir publicações, separando-se dele (por divergências de ponto de vista) cerca de dois anos depois.  Em 1879, começou a publicar a revista WatchTower, a qual, mais tarde, se tornaria  a conhecida “A Sentinela”. O Pastor Russell, entre outras coisas, era adepto de piramidologia, simpatizante da maçonaria e extraiu alguns de seus conceitos da astrologia e dos cálculos de um inglês chamado John Acquila Brown , sobre o “fim do mundo”. Ele escreveu diversos livros durante a sua vida, nenhum dos quais é hoje publicado. Os seguidores do Pastor Russell chamavam-se inicialmente ‘Estudantes da Bíblia’, tendo adquirido o nome “Testemunhas de Jeová” apenas a partir de 1931. Estudiosos de religião consideram o movimento “Testemunhas de Jeová” como derivado do Segundo Adventismo e do ‘Millerismo’ do século 19.

(Fonte: Testemunhas de Jeová – Proclamadores do Reino de Deus  (1993), cap. 5 e Apocalypse Delayed – M. J. Penton (1985), parte I)

 

Russell foi criado na Igreja Presbiteriana, depois filiou-se na Igreja Congregacional, e, finalmente, restaurou a sua fé com os Adventistas, "sob a orientação de Deus", nas próprias palavras dele. É bem inteligível que os inicialmente Estudantes da Bíblia (agora Testemunhas de Jeová), foram uma facção de outros grupos religiosos.

 

O que dizer então sobre o raciocínio das Testemunhas de Jeová que as mesmas não seguem a homens?


A liderança das Testemunhas de Jeová é garantida a partir da sua Sede, fundada em Brooklyn, Nova Iorque nos Estados Unidos da América. A designação legal da mesma é a “Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania”, em Português: “Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados da Pensilvânia” ou tão simplesmente como os fiéis lhe chamam: “a Sociedade”. As Testemunhas de Jeová são dirigidas por um grupo de pouco mais de meia dúzia de homens, que se apelidam de “Corpo Governante” (não existe na bíblia tal termo). Esse órgão central de homens é responsável pelas actividades mundiais das Testemunhas de Jeová em redor do mundo inteiro. Eles auto-intitulam-se de “Escravo Fiel e Discreto”, também professam ser “orientados por Deus” e dizem ser “Divinamente inspirados”.

 

O livro “Poderá Viver para sempre num Paraíso na Terra” página 195, diz o seguinte:

“A organização visível de Deus hoje também recebe orientação e direcção teocráticas.

 

"A Sentinela” de 1 de Janeiro 1974“ também menciona: (…)

“Só a Organização de Jeová em toda a Terra é dirigida pelo Espírito Santo. Ela é a única para a qual a Palavra Sagrada de Deus, a Bíblia, não é um lacrado, a única Organização na Terra que compreende as “coisas profundas de Deus.

 

Todos os ensinamentos da seita são criados por este conjunto de pessoas e todas as suas inúmeras leis internas são costuradas por eles, tendo o Corpo Governante o poder de comandar a vida e o destino de cerca de 7 milhões de fiéis. Nenhuma Testemunha de Jeová tem o direito de duvidar das doutrinas criadas por este grupo, sobe pena de ser expulsa da seita. A obediência total e incondicional é uma obrigação. Todos os membros seguem o Corpo Governante cegamente por acreditarem que tais doutrinas veêm directamente de Jeová.

 

“A Sentinela” de 1 de Fevereiro de 1940 (em inglês), diz o seguinte sobre essa matéria:

 “Nós resolvemos obedecer todos as instruções da Torre de Vigia,sabendo que tal procede dos altos poderes de Jeová Deus e Jesus Cristo. Nós resolvemos ser completamente obedientes a Sociedade como parte visível da grande teocracia".

 

Seguem as Testemunhas de Jeová a homens? A resposta é demasiado óbvia para ser respondida!

Mas sobre serem ou não uma seita, vou deixar que a Sociedade Torre de Vigia responda a essa pergunta através das suas próprias publicações…

 

“A Sentinela” de 15 de Fevereiro de 1994 p. 4 sobe o tema: “O que são seitas?”

 “As seitas são interpretadas como grupos religiosos dotados de conceitos e práticas radicais que se chocam com o que é hoje aceite como comportamento social normal (...) Os membros de seitas muitas vezes se isolam dos amigos, da família e até da sociedade em geral. Dá-se isso com as Testemunhas de Jeová” (…)?

 

“A Sentinela” de 15 de Dezembro de 1981 p. 19 “Como encarar a desassociação”

(...)“Os que se tornam ‘não dos nossos’ por deliberadamente rejeitarem a fé e as crenças das Testemunhas de Jeová devem ser encarados e tratados apropriadamente como aqueles que foram desassociados por causa duma transgressão” (...)

 

“A Sentinela” de 4 de Janeiro de 1983 p. 31,32 na secção “Perguntas dos Leitores”

(...)”Outra espécie de falta pode ser sentida pelos avós cristãos leais, cujos filhos foram desassociados. Talvez se tenham acostumado a visitar os filhos regularmente, dando-lhes oportunidade de se deleitarem com os netos. Agora os pais foram desassociados por rejeitarem as normas e os modos de proceder de Jeová. De maneira que as coisas não são mais as mesmas na família. Naturalmente, os avós terão de decidir se alguns assuntos familiares necessários exigem contato limitado com os filhos desassociados. E poderão fazer, às vezes, que os netos os visitem”.

 

“Nosso Ministério do Reino” de Agosto de 2002 (Pequeno Jornal interno de acesso restrito e exclusivo para os membros baptizados)

 (...) "Evitamos também o convívio social com quem foi expulso. Isso significa que não vamos com ele a piqueniques, festas, jogos, compras, ao cinema, nem tomamos refeições com ele, quer em casa quer num restaurante.
A Sentinela de 15 de Dezembro de 1981, na página 21, diz: “Um simples ‘Oi’ dito a alguém pode ser o primeiro passo para uma conversa ou mesmo para amizade. Queremos dar este primeiro passo com alguém desassociado?


(...) Fica por conta dos membros da família decidir até que ponto o parente desassociado precisa ser incluído quando tomam as refeições ou cuidam de outras actividades domésticas. Mesmo assim, devem evitar dar a impressão aos irmãos com quem se associam de que nada mudou depois da desassociação.


(...) Depois de ouvir um discurso numa assembleia de circuito, um irmão e sua irmã carnal se deram conta de que precisavam mudar o modo como tratavam a mãe, que morava em outro lugar e havia sido desassociada seis anos antes. Logo depois da assembleia, o irmão ligou para a mãe e, depois de reafirmar seu amor por ela, explicou que não falaria mais com ela, a não ser que um assunto familiar importante exigisse esse contacto.


(...) Se o marido for desassociado, a esposa e os filhos não se sentirão à vontade se ele dirigir um estudo bíblico familiar ou liderar na leitura da Bíblia e na oração. Se ele quiser proferir tal oração, como numa refeição, tem o direito de fazer isso na sua própria casa. Mas eles poderão fazer calados as suas próprias orações a Deus".


“Nosso Ministério do Reino” de Março de 1971 p. 2 
(...) “Se alguns continuarem uma associação que não é absolutamente necessária com o membro da família desassociado, que mora fora do lar, a comissão deverá amorosamente ajudá-los...Desrespeito persistente à instrução da Bíblia de ‘cessar de manter convivência’ com tal pessoa pode levar à desassociação”.

 

"A Sentinela" de 15 de Março de 1986 p. 18 “Não dê margem ao Diabo!”

Alguns dos que têm atitude crítica afirmam que a organização de Jeová é estrita demais na questão de cortar os contactos sociais com pessoas desassociadas. (2 João 10, 11) Mas, por que acham isso tais críticos? Será que têm vínculos familiares íntimos ou uma lealdade errónea a um amigo, que eles colocam à frente da lealdade a Jeová, e às Suas normas e aos Seus requisitos?”

 

“A Sentinela” de 15 de Janeiro de 1971 p. 63 “Perguntas dos Leitores”
(...) “Precisamos manter claramente destacado o fato de que não poder o desassociado gozar da companhia dos seus parentes cristãos não é culpa destes, como se o negligenciassem. (...) os cristãos fiéis têm a obrigação de manter de pé a acção de desassociação por evitarem a associação com o desassociado. Se este for parente que não mora na mesma casa, procurarão não ter associação nenhuma com ele”.

 

No livro “Proclamadores” cap. 13 p. 183 “Somos reconhecidos pela nossa conduta”
“A partir de 1961, quem quer que desconsiderasse esse requisito divino, aceitando transfusão de sangue, e manifestasse uma atitude impenitente seria desassociado da congregação das Testemunhas de Jeová”.

 

“A Sentinela” de 15 de Fevereiro de 1984 p. 4 “O que são seitas?” 
“Seita é um grupo ou movimento que demonstra excessiva devoção a uma pessoa ou ideia...
Sua devoção a um autoproclamado líder humano é provavelmente incondicional e exclusiva. Com frequência, tais líderes se jactam de terem sido divinamente escolhidos”.

 

“A Sentinela” de 15 de Março de 1998 p. 10-11 “Escravos de homens ou servos de Deus?”
Definiu-se “seita” como “grupo que adere a uma doutrina distintiva ou a um líder”. De forma similar, os pertencentes a um “culto” têm “muita devoção a uma pessoa, a uma ideia ou a uma coisa”.

 

“A Sentinela” de 15 de Agosto de 1981 p. 19 “Precisamos de ajuda para entender a Bíblia?”
“Uma vez que verificamos qual o instrumento que Deus usa como seu “escravo” para distribuir o alimento espiritual ao seu povo, Jeová certamente não se agradará se recebermos este alimento como se pudesse conter algo prejudicial. Devemos ter confiança no instrumento que Deus usa. Na sede de Brooklyn, donde emanam as publicações bíblicas das Testemunhas de Jeová, há mais anciãos cristãos maduros, tanto do “restante” como das “outras ovelhas”, do que em qualquer outra parte da terra.”

 

“A Sentinela”83 de 15 de Julho de 1983 p. 27 “Armados para a luta contra espíritos iníquos”
“Podemos realmente passar sem a orientação da organização de Deus? Não, não podemos.”

 

“A Sentinela” de 15 de Março de 1996 p. 16-17 “Como passar na prova da lealdade”

“Passamos agora a tratar do assunto de se ser leal à organização visível de Jeová. Nós certamente devemos lealdade a ela, inclusive ao "escravo fiel e discreto", por meio de quem a congregação cristã é alimentada espiritualmente. (Mateus 24:45-47) Suponhamos que apareça nas publicações da Torre de Vigia algo que não entendemos ou com que não concordamos no momento. O que faremos? Ficar ofendidos e abandonar a organização? Isto foi o que alguns fizeram... De modo que a lealdade inclui esperar até que o escravo fiel e discreto publique entendimento adicional.”

 

“A Sentinela” de 15 de Fevereiro de 1994 p. 7 “São as Testemunhas de Jeová uma seita?”
“É precisamente devido a essa estreita aderência aos ensinos bíblicos que não se encontra entre as Testemunhas de Jeová a veneração e a idolatria de líderes humanos, tão características das seitas hoje em dia. Elas rejeitam a ideia duma distinção entre uma classe clerical e outra leiga.” A mesma “Sentinela” diz o seguinte na página 2: “Sabe-se que os líderes de seitas utilizam métodos manipuladores para controlar a mente de seus seguidores. Há qualquer evidência de que as Testemunhas de Jeová fazem isso?

 

Depois dos textos supra citados, podemos afirmar que não existe qualquer tipo de coerência nas publicações da Torre de Vigia. Por todos os factos evidenciados, as Testemunhas de Jeová são realmente uma seita. Vivem num mundo aparte, afastando-se da sociedade em geral, regem-se com leis próprias e todos aqueles que não seguirem à risca as suas doutrinas, estão condenados à expulsão, sujeitando-se assim a severas consequências. Para mim, não será difícil afirmar que além de serem uma seita, as Testemunhas de Jeová (inconscientemente) tornam-se perigosas para elas próprias e para quem as rodeia…

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publicado por Justiceiro, em 18.06.11 às 23:34link do post | | | favorito

 

Num dos muitos congressos das Testemunhas de Jeová a ser realizado pelo mundo fora neste verão, os responsáveis pela seita afirmam ser grave o problema da poluição do planeta, mas, para eles, o que acabará mesmo com a Terra será a “imoralidade sexual”, além da maldade e do derramamento de sangue. 

 

Essa informação faz parte de documentos supostamente confidenciais que caíram na internet por intermédio de fiéis dissidentes (aqueles que maldosamente chamam de “apóstatas”). Esses documentos estão disponíveis para download no site 4Shared.

 

O resumo desse discurso destaca que “os cientistas têm dado alertas a respeito dos problemas ambientais causados pelo homem, mas Jeová Deus identifica os motivos principais porque a Terra está a ser arruinada”, estando ligados à decadência moral verificada nos últimos anos. “Não se trata de contaminação ambiental, da terra, do mar e do ar, [porque] o que está a arruinar a terra é a maldade das pessoas, a violência e a imoralidade sexual”, diz esse mesmo discurso, citando Géneses 6:5.


Há ali profecias apocalípticas (“Cristo virá em breve”). Também é dado recomendações para se evitar Satanás e os seus seguidores: os “perigosos” apóstatas. As Testemunhas de Jeová devem tentar evitar a Internet em geral, mas nunca entrar em sítios onde manifestamente as ideias sejam contrárias aos pensamentos Jeovistas. As redes sociais não são um lugar frequentável. A dissertação contém regras de comportamento moral, como se vestir, agir, etc. Afirma-se em tais documentos, que a Organização das Testemunhas de Jeová, é “a única religião verdadeira”.


Sobre as Ex Testemunhas de Jeová existe uma advertência: eles são inimigos por estarem a serviço do diabo. “Por meio de raciocínios falsos, os apóstatas procuram causar a ruína espiritual dos servos de Jeová.”

É bem visível em tais documentos a abominação por todos aqueles que já pertenceram à seita, mas que por um ou outro motivo deixaram de fazer parte dessa organização.

 

É obviamente fácil reconhecer em tais discursos, com todas as suas “amorosas” advertências, técnicas de manipulação mental, onde reina o medo e é infundido de uma maneira repetitiva e constante, as mesmas mensagens.


Como já disse varias vezes aqui, por trás daquela aparência de pessoas cordiais e amorosas, escondesse por vezes Seres bem diferentes, que foram moldados pelas doutrinas Jeovistas e que farão tudo para tentar cativar futuros fiéis.

 

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publicado por Justiceiro, em 03.01.11 às 20:48link do post | | | favorito


 

Um movimento cristão norte-americano anunciou o 'fim do mundo' para 21 de Maio próximo, um ano e meio mais cedo do que a data 'prevista' pelo calendário maia: 21 de Dezembro de 2012

 

Centenas de norte-americanos ligados ao movimento cristão Family Radio Worldwide iniciaram nos últimos dias uma campanha internacional para anunciar que o «fim do mundo» chega a 21 de Maio de 2011.

 

De acordo com a Associated Press, o grupo baseia-se na interpretação que o líder, Harold Camping, antigo engenheiro civil de 89 anos, faz de várias passagens da Bíblia e de acontecimentos da história recente. A fundação do Estado de Israel, em 1948, é um dos factos apontados por Camping para afirmar que o dia do juízo final está próximo.

 

«Sem margem de dúvida, 21 de Maio é a data», garante Camping, que prevê para esse dia a subida aos céus das boas almas: «As restantes pessoas vão permanecer na Terra e vão passar por um período de tormento, até ao fim dos tempos».

 

Nos Estados Unidos, vários cartazes a anunciar a data apareceram recentemente em cidades como Bridgeport, no Connecticut, e Little Rock, no Arcansas. O movimento, que tem percorrido o país em caravanas automóveis e propagado a teoria pela rádio e pela internet, afirma que vai estender a campanha a África e à América Latina.

 

A maioria dos cultos cristãos, incluíndo a Igreja Católica, defende que «só Deus conhece o dia e a hora» do juízo final, condenando qualquer previsão sobre o fim dos tempos. No entanto, a ideia de uma data concreta para o fim do mundo é universalmente popular. Em anos recentes, e sobretudo através da internet, o dia 21 de Dezembro de 2012 foi apontado como possível data, devido ao suposto término do calendário maia, que no entanto é desmentido por académicos da área.

Fonte Jornal Sol

 

Fiquei deveras triste e até mesmo intimidado com esta noticia! E eu que realmente pensava (!) que ainda me restavam quase dois anos de vida... Por este andar, com tantas datas anunciadas, em quem devo confiar?

 

Pessoalmente nunca ouvi falar desta seita, mas existe uma muita conhecida do grande publico que já anunciou o "fim do mundo" por diversas vezes.  Datas como 1914, 1915, 1918, 1925, 1941, 1975 e 2000, foram profetizadas pelas Testemunhas de Jeová como sendo a vinda do Armagedão. Ao que parece, falharam todas!


Já vários outros “fins do mundo” foram anunciados (ver aqui) e enquanto existir seitas que se aproveitam do medo dos seus fiéis, muitos outros serão vaticinados. Enquanto isso continuo a afirmar: se deus existisse, não teríamos medo desse tal Armagedão, pois não faria sentido uma entidade “tão amorosa” destruir a sua criação...


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