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publicado por Justiceiro, em 24.06.10 às 23:47link do post | | | favorito

 

       Várias pesquisas indicam que o termo “ateísmo” tornou-se tão estigmatizado nos EUA que ser ateu virou um total impedimento para uma carreira política, de forma que sendo negro, muçulmano ou homossexual não o é. De acordo com uma pesquisa recente da revista Newsweek, apenas 37% dos americanos votariam num ateu qualificado para o cargo de presidente.

Ateus geralmente são tidos como intolerantes, imorais, deprimidos, cegos para a beleza da natureza e dogmaticamente fechados para a evidência do sobrenatural.

 

Até mesmo John Locke, um dos maiores patriarcas do Iluminismo, acreditava que o ateísmo “não deveria ser tolerado” porque, “as promessas, os pactos e os juramentos, que são os vínculos da sociedade humana, para um ateu não podem ter segurança ou santidade.”

 

É importante derrubarmos os mitos.

 

Isso foi há mais de 300 anos. Mas hoje em dia nos Estados Unidos, pouca coisa parece ter mudado. Impressionantes 87% da população americana alegam “nunca duvidar” da existência de Deus; menos de 10% identificam-se como ateus, e cada dia que passe, a reputação dos mesmos parece estar a deteriorar-se. Tendo em vista que sabemos que os ateus figuram entre as pessoas mais inteligentes e cientificamente alfabetizadas em qualquer sociedade, é importante derrubarmos os mitos que os impedem de participar mais activamente do nosso discurso nacional.

 

Os ateus acreditam que a vida não tem sentido.

 

Pelo contrário: são os religiosos que se preocupam frequentemente com a falta de sentido da vida e imaginam que ela só pode ser redimida pela promessa da felicidade eterna além da vida. Ateus tendem a ser bastante seguros quanto ao valor dela. A vida é imbuída de sentido ao ser vivida de modo real e completo. As nossas relações, com aqueles que amamos, têm sentido agora; não precisam durar para sempre para ter sentido. Os ateus tendem a achar que este medo da insignificância é… bem… insignificante!

 

Os ateus são responsáveis pelos maiores crimes da história da humanidade.

 

Pessoas de fé geralmente alegam que os crimes de Hitler, Stalin, Mao e Pol Pot foram produtos inevitáveis da descrença. O problema com o fascismo e o comunismo, entretanto, não é que eles eram críticos demais da religião, o problema é que eles eram muito parecidos com religiões. Tais regimes eram dogmáticos ao extremo e geralmente originam cultos a personalidades que são indistinguíveis da adoração religiosa. Auschwitz, o gulag e os campos de extermínio não são exemplos do que acontece quando humanos rejeitam os dogmas religiosos: são exemplos de dogmas políticos, raciais e nacionalistas andando à solta. Não houve nenhuma sociedade na história humana que tenha sofrido porque o seu povo ficou racional demais.

 

Os ateus são dogmáticos.

 

Judeus, cristãos e muçulmanos afirmam que suas escrituras eram tão prescientes das necessidades humanas que só poderiam ter sido registadas sob orientação de uma divindade omnisciente. Um ateu é simplesmente uma pessoa que considerou esta afirmação, leu os livros e descobriu que ela é ridícula. Não é preciso ter fé ou ser dogmático para rejeitar crenças religiosas infundadas. Como disse o historiador Stephen Henry Roberts (1901-71) uma vez: “Afirmo que ambos somos ateus. Apenas acredito num deus a menos que você. Quando você entender porque rejeita todos os outros deuses possíveis, entenderá por que rejeito o seu”.

 

Os ateus acham que tudo no universo surgiu por acaso.

 

Ninguém sabe como, ou porque o universo surgiu. Aliás, não está inteiramente claro se podemos falar coerentemente sobre o “começo” ou “criação” do universo, pois essas ideias invocam o conceito de tempo, e estamos a falar sobre o surgimento do próprio espaço-tempo.

 

A noção de que os ateus acreditam que tudo tenha surgido por acaso é também usada como crítica à teoria da evolução darwiniana. Como Richard Dawkins explica no seu livro, “A Desilusão de Deus”, isto representa uma grande falta de entendimento da teoria evolutiva. Apesar de não sabermos precisamente como os processos químicos da Terra jovem originaram a biologia, sabemos que a diversidade e a complexidade que vemos no mundo vivo não é um produto do mero acaso. Evolução é a combinação de mutações aleatórias e da selecção natural. Darwin chegou ao termo “selecção natural” em analogia ao termo “selecção artificial” usadas por criadores de gado. Em ambos os casos, selecção demonstra um efeito altamente não-aleatório no desenvolvimento de quaisquer espécies.

 

Ateísmo não tem conexão com a ciência.

 

Apesar de ser possível ser um cientista e ainda acreditar em Deus (alguns cientistas parecem conseguir isso), não há dúvida alguma de que um envolvimento com o pensamento científico tende a corroer, e não a sustentar, a fé. Adoptando a população americana como exemplo, a maioria das pesquisas mostra que cerca de 90% do público geral acreditam num Deus pessoal, entretanto, 93% dos membros da Academia Nacional de Ciências não acreditam. Isto sugere que há poucos modos de pensamento menos apropriados para a fé religiosa do que a ciência.

 

Os ateus são arrogantes.

 

Quando os cientistas não sabem alguma coisa (como por exemplo, porque o universo veio a existir ou como a primeira molécula se formou), eles simplesmente admitem. Na ciência, fingir saber coisas que não se sabe é uma falha muito grave. Mas isso é o sangue vital da religião. Uma das ironias monumentais do discurso religioso pode ser encontrado com frequência em como as pessoas de fé se vangloriam sobre sua humildade, enquanto alegam saber de factos sobre cosmologia, química e biologia que nenhum cientista conhece. Quando consideram questões sobre a natureza do cosmos, os ateus visam buscar as suas opiniões na ciência. Isso não é arrogância. É honestidade intelectual.

 

Os ateus são fechados para a experiência espiritual.

 

Nada impede um ateu de experimentar o amor, o êxtase, o arrebatamento e o temor; ateus podem valorizar estas experiências e buscá-las regularmente. O que os ateus não tendem a fazer são afirmações injustificadas (e injustificáveis) sobre a natureza da realidade com base em tais experiências. Não há dúvida de que alguns cristãos mudaram suas vidas para melhor ao ler a Bíblia e rezar a Jesus. O que isso prova? Que certas disciplinas de atenção e códigos de conduta podem ter um efeito profundo na mente humana. Tais experiências demonstram que Jesus é o único salvador da humanidade? Nem mesmo remotamente, porque hindus, budistas, muçulmanos e até mesmo ateus vivenciam experiências similares regularmente. Não há, na verdade, um único cristão na Terra que possa estar certo de que Jesus sequer usava uma barba, muito menos de que ele nasceu de uma virgem ou ressuscitou dos mortos. Este não é o tipo de alegação que experiências espirituais possam provar.

 

Os ateus acreditam que não há nada além da vida e do conhecimento humano.

 

Ateus são livres para admitir os limites do conhecimento humano de uma maneira que nem os religiosos podem. É óbvio que nós não entendemos completamente o universo, mas é ainda mais óbvio que nem a Bíblia e nem o Corão demonstram o melhor conhecimento dele. Nós não sabemos se há vida complexa em algum outro lugar do cosmos, mas pode haver… E, se existem, tais seres podem ter desenvolvido um conhecimento das leis naturais que vastamente excede o nosso. Os ateus podem livremente imaginar tais possibilidades. Eles também podem admitir que se extraterrestres brilhantes existirem, o conteúdo da Bíblia e do Corão lhes será menos impressionante do que são para os humanos ateus. Do ponto de vista ateu, as religiões do mundo banalizam completamente a real beleza e imensidão do universo. Não é preciso aceitar nada com base em provas insuficientes para fazer tal observação.

 

Os ateus ignoram o facto de que as religiões são extremamente benéficas para a sociedade.

 

Aqueles que enfatizam os bons efeitos da religião nunca parecem perceber que tais efeitos falham em demonstrar a verdade de qualquer doutrina religiosa. É por isso que temos termos como “wishful thinking” e “auto-enganação”. Há uma profunda diferença entre uma ilusão consoladora e a verdade.

 

De qualquer maneira, os bons efeitos da religião podem ser certamente questionados. Na maioria das vezes, parece que as religiões dão péssimos motivos para se agir bem, quando temos bons motivos actualmente disponíveis. Pergunte a si próprio: o que é moralmente mais inteligente, ajudar os pobres por se preocupar com seus sofrimentos, ou ajudá-los porque acha que o criador do universo quer que você o faça e o recompensará por fazê-lo ou o punirá por não fazê-lo?

 

O ateísmo não fornece nenhuma base para a moralidade.

 

Se uma pessoa ainda não entendeu que a crueldade é errada, não descobrirá isso lendo a Bíblia ou o Corão, já que esses livros transbordam de celebrações da crueldade, tanto humana quanto divina. Não tiramos nossa moralidade da religião. Decidimos o que é bom recorrendo a intuições morais que são (até certo ponto) embutidas em nós e refinadas por milhares de anos de reflexão sobre as causas e possibilidades da felicidade humana.

 

Nós fizemos um progresso moral considerável ao longo dos anos, e não fizemos esse progresso lendo a Bíblia ou o Corão mais atentamente. Ambos os livros aceitam a prática da escravidão­­, e ainda assim, Seres humanos civilizados agora reconhecem que escravidão é uma abominação. Tudo que há de bom nas escrituras, como a regra de ouro, por exemplo, pode ser apreciado por seu valor ético, sem a crença de que isso nos tenha sido transmitido pelo criador do universo.

sinto-me:

mimi a 1 de Julho de 2010 às 14:44
Ora pois está aqui um belo tema...
A parte da espiritualidade: Bom, no meu parco entendimento, parece-me a mim que a espiritualidade nada deverá ter com religião...qualquer crente ( em seja lá o que fôr ou então não) poderá viver a sua espiritualidade, a sua busca interior, questionar-se sobre este ou aquele assunto, sem que para isso tenha de reconhecer em Jesus, Alá, Buda, ou Nada, o fio condutor para as suas análises...
O espírito é isso mesmo...o que nos diferencia das chamadas máquinas, o interior...acho eu, lá está....EU. Mera opinião
Boa continuação...

Justiceiro a 16 de Julho de 2010 às 23:55

Tenho dito.

Justiceiro a 16 de Julho de 2010 às 23:53
Mas isso não envolve acreditar em alguma coisa ou algo de qual não existe nenhuma prova cientifica? O que entendes por espiritualidade ? Talvez quererás chamar-lhe outra coisa, não sei talvez, consciência . Não?
Bom fim de semana.
Tenho dito.

Justiceiro a 17 de Julho de 2010 às 21:52
Mas isso não envolve acreditar em alguma coisa ou algo de qual não existe nenhuma prova cientifica? O que entendes por espiritualidade ? Talvez quererás chamar-lhe outra coisa, não sei talvez, consciência . Não?
Bom fim de semana.
Tenho dito.

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